Site Meter Ame Design - amenidades do Design . blog: junho 2014

30.6.14

Penas Artesanais para Caligrafia



O professor Volnei Matté compartilha generosamente em seu flickr um tutorial de como fazer penas artesanais para caligrafia e desenho de letras. Trago seu relato que é divulgado juntamente com seu album-tutorial:

"Quando comecei a experimentar os primeiros riscos caligráficos, em 2009, fortemente movido e auxiliado pelo livro do David Harris, A arte da caligrafia,  senti falta imediata de materiais que permitissem trabalhar com letras maiores.

As penas disponíveis eram as tradicionais encontradas na maioria das papelarias nacionais. As melhores e, principalmente, as automatic pens, só importando mesmo. Então, comecei a testar alguns modelos de penas, buscar referências de outras, e começar a construir algumas penas que fossem fáceis de fazer e resultassem em boas possibilidades caligráficas.

Comecei pesquisando no livro de Lisa Engelbrecht, que mostra algumas penas artesanais, especialmente a Cola Pen (ou Folded Pen). Que foi uma dureza aprender a usar sozinho... Depois desenvolvi outros tipos de penas, com chapas offset, com antenas de TV, e outros materiais alternativos. Várias já permitiam um bom resultado. Após fazer um curso com a Andréa Branco em Abril de 2011, recebi dela estes links com várias possibilidades de penas artesanais:

Sketcheria
Plumas Alterlatinas
Re-type

Assim, voltei do curso e me dediquei a construir outras penas mais aprimoradas. Para meus alunos que fazem caligrafia, essas penas artesanais são muito funcionais, acessíveis e já na primeira aula, cada aluno constrói várias dessas penas e usa o semestre inteiro. Este tutorial foi feito com a inestimável ajuda de dois alunos, Gabriel Santini Pompeo e Maíra Woloszyn, que inclusive já ministraram uma oficina no NDesign sobre a construção de penas artesanais."






















Este passo-a-passo acima está bem mais detalhado no album original, ok? Além de você encontrar tutoriais de outros desenhos de penas artesanais. Para ver cliquem aqui.


A seguir videos que mostram com usar as penas verdadeiras :) Aqui neste tutorial estamos falando de uma proposta artesanal e acessível a qualquer bolso, mas vale a pena ver os videos abaixo para entender como funciona o instrumento original. Pelo video dá para perceber como a pressão correta libera ou não a tinta sobre o papel e como a posição da pena em relação ao papel muda o resultado do traçado.



29.6.14

Portátil, econômica e ecológica:
um novo conceito para lavar roupas





Esta é um projeto que surgiu da experiência de Ash Newland, ao planejar uma viagem de escalada no Monte Kilimanjaro com um amigo há quatro anos. Pensando sobre como eles iriam lavar suas roupas regularmente e desta forma levando menos peso, Newland pensou na idéia de uma tábua de lavar, mas seria difícil de carregar… Então ele teve a idéia de criar uma tábua de lavar flexível em um material impermeável (detalhe na imagem abaixo), logo veio a idéia de um saco selado, que foi um dos primeiros protótipos do Scrubba.



No final de 2011, o Scrubba foi financiado coletivamente pelo Indiegogo, quando chegaram ao produto final que pesa apenas 180g e dobrado cabe no bolso! Perfeito para os viajantes mochileiros, mas não só para eles… Divirta-se com o video que eles produziram abaixo :)






Para usar o Scrubba basta encher com uma pequena quantidade de água, seu produto de limpeza e suas roupas. Enrolar e fechar a parte superior.  Abra uma válvula para expelir o ar do saco de lavagem. Agora é a hora de esfregar pressionando para baixo e pressionando as roupas contra a parte interna texturizada  e flexível que faz o papel de tábua de lavar. Bastam 30 segundos para uma lavagem rápida de viagem ou por 3 minutos para uma lavagem de mais qualidade. Para roupas delicadas, pressione e esfregue suavemente. Depois disto enxagüe, abrindo e retirando a água suja do saco de lavagem (lave em água doce, água de torneira ou chuveiro). Depois de enxaguadas você está pronto para secar as roupas enrolando e apertando as roupas em uma toalha que vem com o kit. Pendure as roupas para secar no varal de viagem Scrubba.




É uma forma fácil e eficaz de lavar as roupas a mão quando você viaja, faz camping, trekking, caminhadas, ou em viagens como cruzeiros, viagem de negócios e até mesmo quem sabe em casa :)

Um produto que foi concebido para viagem de mochileiros se adequa perfeitamente em outra oportunidades de uso e qualquer tipo de consumidor abrindo um precedente importante quanto novos e conscientes usos da água, com certeza!













28.6.14

Tinta para ensinar música





MusicInk é uma idéia maravilhosa que pretende ensinar música para crianças através de uma tinta especial eletricamente condutiva, uma placa de Arduino programável e um sensor de toque (MPR121 Sparkfun).



Tudo começa com o desenho que as crianças fazem de instrumentos em uma folha de papel usando a tinta especial, depois seus desenhos são conectados ao sensor que detecta quando a tinta é tocada com as mãos e corresponde o toque a uma nota musical (especialmente gravada pela Orquestra Filarmónica de Londres).

MusicInk é um projeto concebido para educar crianças acerca dos conceitos musicais de base, de uma forma interativa, visual e memorável. Concebido na forma de um kit, onde se inclui a tinta, stencils de instrumentos, e todos os componentes elétricos necessários para criar facilmente a experiência musical inusitada e surpreendente da orquestra ilustrada. Aliás, poderíamos dizer que é uma orquestra bem gráfica :) pois cada instrumento tem uma representação característica a ser pintada no stencil (clique na imagem abaixo para conferir o traçado criado para cada instrumento e suas sonoridades)




Uma delícia ver o video abaixo onde a criação dos designers Riccardo Vendramin e Gilda Negrini, com ajuda do engenheiro de software Luong Bui, fica evidente como uma experiência especial no momento educacional.









via

27.6.14

Natural x Sintético





A série Natural X Sintético, de Sara Landeta pretende provocar reflexão e questionamentos sobre a industria farmacêutica. A artista usa o verso de caixas de medicamentos como tela de suas pinturas. Belos desenhos ornitológicos inspirados na obra do artista John James Audubon, século IXX.

Sara quer lembrar que a sobrevivência da humanidade depende da natureza e não de produtos farmacêuticos artificiais. Boa estratégia de manifesto, não acham? :)


















25.6.14

Tipo 4D



O Estúdio Lo Siento de Barcelona criou uma tipografia que pode ser vista além de sua largura, altura e profundidade (3 dimensões), sendo também vista através dela mesma…

A criação foi chamada de Tipo 4D e é resultado de uma interseção na forma ortogonal espacial com duas extrusões de um mesmo carácter, o que permite ao espectador lê-lo de, mínimo, duas posições diferentes no espaço.








Esse alfabeto foi projetado para ser uma parte do stand promocional da Fedrigoni. Uma vez que o estande foi pensado como uma instalação com letras penduradas no teto com fio de nylon, houve a busca por uma forma de permitir a legibilidade a partir de diferentes pontos de vista. Pois a idéia acabou se tornando um projeto pessoal do estúdio que decidiou desenvolver o alfabeto inteiro. A criação deste alfabeto e os erros que ocorreram durante o processo de criação guiaram novas idéias para projetos futuros :) como todo bom projeto pessoal e experimental deve ser.








Quando queremos apreciar uma forma arquitetônica em particular, somos forçados a nos movimentar para apreciar todos os detalhes, pois mudança de perspectiva gera novos espaços em que a luz age de maneiras diferentes. Neste caso, é a tipografia, que faz com que o esforço de abandonar suas duas dimensões se aproxime do sentido arquitetônico. As peças daqui foram construídas em pedaços de papel cartão branco.




24.6.14

Paula Dib e seu Design de Impacto Social

Trago hoje um apanhado sobre um assunto enriquecedor para todos nós, o Design de impacto social, aqui representado pelas práticas e projetos da designer brasileira Paula Dib. Paula Dib atua com foco no design centrado no ser humano, co-criando junto a comunidades urbanas e rurais, oferecendo novas soluções focadas no bem-estar e na transformação social local. Seus projetos tem como pilar a experimentação, trabalhando sobre valores fundamentais da vida de cada comunidade.





Impossível não se encantar com as palavras de Paula sobre sua visão do Design e sobre seu trabalho. Deixem-se inspirar com seu relato no texto abaixo "Caminhos no Design" escrito por ela para a Organización Latinoamérica de Producción Intelectual en la disciplina del Diseño:

"O que me encanta no design é a amplitude de ferramentas desenvolvidas e estimuladas que temos como criativos, e como ele nos convida a utilizá-las para melhorar da vida das pessoas. Seja no âmbito que for, da criação da embalagem de shampoo, a cama, sofá ou poltrona. Essa relação do design com as pessoas é absolutamente fascinante e enriquecedora. O caldo para criação é farto, cheio de nuances, temperos e sabores.

Isto nos leva a um outro estágio de envolvimento e consequentemente de percepção, que amplia enormemente o leque de possibilidades e caminhos. Ganha uma “realidade ampliada”, pois se afasta do ponto de vista unitário do criador e parte para a força da visão do todo.

Este é o design inclusivo, generoso, atento, observador, estimulador de potencialidades, que nascem de um exercício coletivo de experimentação e descoberta.

Sob esta perspetiva, ao analisarmos a realidade brasileira vemos que de um ponto de vista mercadológico e social o Brasil estruturou-se através de um modelo de desenvolvimento excludente, onde de um lado, temos o país emergente dos grandes centros urbanos, visando um desenvolvimento em moldes estrangeiros, e de outro, o Brasil regional, muitas vezes sub-desenvolvido -ou sub-valorizado- mas com ricas expressões culturais e sociais.

Considerando este contexto, a proposta de atuação é unir, através do design, esses dois pólos sociais brasileiros, desenvolvendo produtos juntamente com comunidades artesanais, criando alternativas de renda, gerando auto-estima e valorizando sua cultura e identidade regionais originais brasileiras.

Neste processo de aproximação, percebemos a mudança da visão do design X artesanato como dois campos diferentes. Começamos a considerar design E artesanato como uma rica confluência que ultrapassa as fronteiras do design, em busca de um delicado equilíbrio entre tradição, modernidade, cultura, arte, conduta, política, natureza e questões sociais.

Com relação à metodologia aplicada, o trabalho acontece principalmente em comunidades urbanas e rurais de produção artesanal em todo território brasileiro.

O desenvolvimento tem início com um diagnóstico, à principio de observação da vida como um todo, dos costumes, das tradições, do ritmo local, das crenças, das lideranças, da natureza. É um momento de sentir, pois os lugares influenciam as pessoas, e as pessoas influenciam os lugares.

Cada local tem sua própria natureza, cada pessoa tem sua própria natureza. Para entender a natureza de cada local é preciso saber qual é a intenção e, ao observar, estar consciente de que observamos por um ponto de vista.

Pois nossa visão é essencialmente subjetiva baseada nas nossas experiências pessoais, estudos, valores, ética e principalmente nas experiências sensoriais. Nessa colheita de sensações: formas, cores, cheiros, texturas nos permitem alcançar um estado mais limpo de percepção.

E então, partindo do espaço e das pessoas que ali vivem, como princípio organizador, estabelece-se o ritmo e desenvolvimento do trabalho.

É fundamental desenvolver a observação criativa e viver o local com um profundo sentimento de relacionamento. Percepção requer envolvimento. Enxergar a totalidade, vivenciar cada detalhe.

Respeitar técnicas tradicionais, o uso e extração das matérias primas, os processos e o tempo de cada lugar e trabalhar com entusiasmo para renovar e redescobrir.

Consciente destes tantos aspectos, desafiar conjuntamente todas as coisas a serem diferentes e se desafiar a pensar diferente. Baseando-se em recursos e habilidades locais, utilizando todos instrumentos e ferramentas criativas, oriundas do design.

Pois, construir a partir de verdades é um exercício maravilhoso."




Se você ficou curioso para ver o trabalho da Paula confira o video acima onde ela apresenta o projeto de brinquedos pedagógicos em Moçambique com bio-construção e confira as estampas africanas (clicando aqui) co-criadas em uma oficina juntamente com alguns locais.


Além de sua rica trajetória Paula foi vencedora do prêmio International Young Design Entrepreneurs of the Year de 2006, e co-dirigiu um documentário sobre os mestres do couro da região do Cariri. Foi homenageada pela revista Trip como Transformadora 2013 e em seu caminho do sertão do Ceará a África, passando por  Londres, Paula valoriza os processos e as pessoas, que são sua principal matéria-prima.




Um pouco mais sobre o trabalho da Paula ilustrado por imagens abaixo. Para ver e saber mais detalhes acessem o Behance dela.














Gostou de conhecer a Paula Dib e quer saber mais sobre seu trabalho? Acesse o site dela clicando aqui e confira mais esta entrevista com esta designer de idéias fascinantes. Curtam o video da entrevista abaixo (em inglês) para o site Design Indaba onde Paula Dib fala juntamente com Adélia Borges, ao evento What Design Can Do de 2011, sobre o projeto de Design que tem como compromisso melhorar vidas.




E aí? Curtiu saber que o design pode ajudar pessoas e construir comunidades melhores? Quatro designers falam sobre estas questões no site Design Indaba. Lá você também encontra outra entrevista com a Paula Dib.

Para ler mais sobre Design Social acessem o livro Sustainist Design Guide e o livro Design for Social Impact da Ideo. Tenho algumas referências para vocês no meu slideshare. Boa pesquisa :)

23.6.14

Cerveja no saquinho






Trago hoje este projeto conceitual de Wonchan Lee para todos pensarem que não podemos ser simplistas na hora de projetar. Pesquisa sobre as características do produto, seu processo industrial e momento de consumo é fundamental. Neste caso o designer só pensou na questão da embalagem, provavelmente não pesquisou o motivo da cerveja ser embalada em vidros no tom âmbar, por exemplo. Um ponto muito importante no que tange um projeto de embalagem é a questão da manutenção da qualidade do produto da produção até o momento do consumo. A idéia de embalar cerveja em sacos parece interessante a princípio, mas daí a dúvida não recai sobre o material plástico e sim sobre a incidência de luz sobre o produto: a cerveja.



Para esta questão consultei o Armando Fontes, designer e expert em cervejas artesanais e gestão de marcas de cervejas que fala o que acha para gente:

"São várias as considerações, o projeto é conceitual mesmo porque não daria certo em condições normais. A cerveja vai sempre pressurizada (na garrafa de vidro ou lata). Numa embalagem de tetrapak ou plástico flexivel não daria certo. No máximo pet.

A transparência do material é outro problema. Garrafas são normalmente âmbar pra proteger a bebida, pois a luz interfe no lúpulo (que dá amargor, aromas e é um conservante natural da cerveja). A incidência de luz nas cervejas mais delicadas causa um efeito chamado "light struck" que dá um cheiro que é semelhante ao de gambá.

A embalagem só levou em consideracao a sustentabilidade, e não levou pensou o processo industrial nem as características do produto. É um erro bem comum, né? Principalmente quando só vemos o projeto num esfera de problemas. A parte psicológica de beber numa embalagem tipo saquinho também não me parece legal. Usar canudo? Seria o fim do "tin tin"?"






Mesmo chegando a conclusão de que este projeto conceitual provavelmente nunca seria implementado, vale a pena mostrar que em outras condições o plástico pode ser uma boa idéia… Você tomaria refrigerante em saquinhos, por exemplo? Vale relembrar o refrigerante para viagem que, diferente desta proposta daqui, se trata de uma adaptação a uma prática de consumo local do produto em El Salvador. Agora percebem como tudo depende do contexto?

Super pertinente completar esta postagem com o comentário do Luis Gustavo Coutinho lá no facebook: "Certíssimo! No saquinho, só se for para o consumo imediato, como fazem os vendedores de rua chineses (vide video abaixo)"