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23.9.15

O mini Rio de Fabio Lopez







Mais uma boa idéia de Fábio Lopez :) Depois de criar os jogos manifesto War in Rio e Bando Imobiliário carioca, agora o designer traz uma experiência de catalogação de linguagem, ícones, locais, coisas e experiências tipicamente cariocas. O projeto mini Rio constitui uma extensa coleção de pictogramas e ilustrações criadas com o objetivo de homenagear e apresentar visualmente os patrimônios culturais materiais, imateriais e afetivos percebidos pelos próprios cariocas em sua cidade do Rio de Janeiro.

Fabio transformou tudo em desenhos iconográficos e padrões coloridos no projeto mini Rio, uma coleção de pictogramas e ilustrações criadas para apresentar visualmente a cidade do Rio de Janeiro.







Este projeto de Fabio vem em um momento no qual a cidade do Rio de Janeiro vive um período de grande visibilidade e todos querem conhecer um pouco mais desse lugar que ele descreve como "uma cidade charmosa, divertida, caótica, vibrante, barulhenta, contraditória e inesquecível."

O projeto ainda conta com o desenho de duas tipos exclusivos para download grátis: mini Tipo e mini Gentileza. Acessem o projeto mini Rio clicando aqui.










11.9.15

Rota das cores de Anna Anjos







Rota das Cores é um projeto pessoal da ilustradora Anna Anjos, que ela iniciou neste mês de setembro de 2015, para celebrar a expressão pessoas, lugares, produções e costumes dos locais por onde ela está viajando e os quais ela "traduz" em linha e cor ilustrados no seu sketchbook. Uma delícia de acompanhar, nos sentimos viajando junto com ela :) As referências visuais que surgem destes registros são sensacionais. Nas palavras da própria Anna:

"Desde que me conheço por gente, eu desenho. Amo o que faço. Fato é que nunca gostei de brincar de boneca. Na infância, uma das únicas coisas capazes de me fazer sorrir de orelha a orelha era ganhar um novo estojo de lápis ou hidrocor (e olha, ainda faz, rs).

O que talvez pouca gente saiba é que, durante a faculdade, a paixão por desenhar dividiu terreno com a antropologia. Foi então que descobri que sou fascinada pela produção e história humanas. Durante algum tempo pesquisei sobre as expressões artísticas e culturais humanas em artigos para o Obvious; aproximar-me da produção cultural dos povos me instigou a querer conhecê-la mais de perto." Anna Anjos

Eu, pessoalmente, me lembrei que sempre trago  papeizinhos, moedas e outras lembranças de viagens (assim como a Anna os coloca junto a seus desenhos) mas admito que precisaria modificar o tempo das viagens para dar conta de parar para desenhar. Geralmente uso a fotografia como forma de lembrar e inspirar meu olhar durante viagens, mas não descarto a possibilidade de colocar um sketchbook na bagagem da próxima partida :)













 Viajar realmente é uma linda possibilidade de ver o mundo com outros olhos e exercitar nossos pontos de vista! Mas acho que vou buscar começar com exercícios no dia-a-dia como a Karina Kuschnir o faz e nos mostra em seu blog. Fica aqui um lembrete para mim mesma e uma dica para vocês! Podemos "viajar" mais na viagem :)

Ahh... tem um processo criativo de toy art feito pela Anna Anjos clicando aqui.

10.6.15

O Futuro do Design



Esta postagem é para abrir a mente e levantar pensamentos :)

Começamos com uma visão atual e um projeção de um futuro próximo: um "produto" hoje raramente é apenas físico e as expectativas do consumidor para estes produtos são de experiências significativas, maiores do que nunca. O desafio para os designers é trazer empatia e sensibilidade para o seu trabalho, independentemente das ferramentas e tecnologias à sua disposição. O bom designer será o bom "tradutor" das expectativas em uma "entrega" de uma experiência. Ai entram questões mais elaboradas e muito mais importantes além da simples polêmica simplista sobre desenhos de marca e uso de softwares. Devemos abandonar o simples debate técnico e adotar um pensamento holístico.

Segue importante trecho traduzido e adaptado do video acima:

"Vemos muitos ensinamentos sobre 'o que' e 'como' e o 'porque' parece ter ficado de lado, sido negligenciado, mas é a habilidade mais importante. Entender os aspectos contextuais é muito importante não apenas para determinar o que projetar, mas principalmente porque projetar [...] as pessoas consideram o profissional de design um criativo "solucionador de problemas", mas ser designer também é sobre 'colocar as coisas no mundo', em um mundo de pessoas, culturas e relações sociais."




Este mundo de pessoas se tornou um mundo de expectativas que são vendidas e devem ser entregues. Isso significa que o desafio para as organizações grandes e pequenas é a mesma: criar melhores experiências e aprofundar as relações com os consumidores, diminuindo a lacuna entre a expectativa (promessa) e a experiência do consumidor (entrega).





Aqui nesta conversa se encaixam perfeitamente os novos dispositivos 'wearables', roupas e acessórios que incorporam tecnologias de eletrônica e computação avançados.  Não podemos ignorar as possibilidades, os usos potenciais mas também a especulação e os caminhos da computação incorporada em objetos de nosso dia-a-dia. Alguns exemplos são as iniciativas do Nike FuelBand e do Google Glass.

Afinal as tecnologias estão se transformando e ao longo dos anos e, em breve, dispositivos poderão ser levados como partes integrantes de nossas roupas e corpos sendo projetados para usarmos quase sem pensar. Acho importante  lembrar que em muitos casos estas tecnologias podem não ser apropriadas pelas pessoas como elas foram projetadas. Muitos de nós e, principalmente, as novas gerações não serão passivas em relação a estas tecnologias encontrando novos usos para as mesmas ou até mesmo negando-se a incorpora-las em seu dia-a-dia. Sabemos que apenas uma pesquisa empírica, em cada cultura, poderá nos revelar tais fatos. Um bom exemplo para este debate é como o Google Glass foi recebido pelas pessoas quando estava em teste. A questão se desenrolou pra a aplicação da tecnologia em lentes de contato. Ai temos muito debate acerca de ética nos usos destas novas tecnologias e direito a privacidade. Mas o que vale é pensar e debater! Como é que a tecnologia "de vestir" (wearable) se encaixa em nossas vidas diárias? É uma tendência passageira, ou o futuro da computação? Será que viraremos seres híbridos? :)

Ficam aqui questões em aberto: sintam-se a vontade para comentar abaixo e aproveitem os videos que são excelentes para pensar!

Esta postagem foi inspirada por uma super dica da Mabel Lazzarin.

12.1.15

Letras que Flutuam:
tipografia popular nortista







Trago hoje uma entrevista sobre um belo projeto que resgata, retrata e registra um saber popular brasileiro, pesquisado na região Norte do Brasil. Acompanhem a entrevista com as idealizadoras do projeto "Letras que Flutuam", as designers Fernanda Martins e Sâmia Batista, e não deixem de acompanhar o trabalho que está sendo feito lá no nosso estado do Pará.




Foto de Sâmia Batista

Foto de Sâmia Batista


Como surgiu o projeto? Quais as motivações pessoais que as levaram a esta pesquisa?

O projeto iniciou em 2004, assim que a designer Fernanda Martins se mudou para Belém. Por ser tipógrafa logo percebeu algo especial nos letreiros dos Barcos e começou a registrar. Era clara a referência às letras decorativas vitorianas. Depois de milhares de fotos e muita insistência da, também designer, Sâmia Batista, Fernanda resolveu explorar mais o assunto e fez uma especialização na UFPA onde tratou deste assunto mais profundamente.

Era um saber invisível, nem mesmo os paraenses percebiam o fato. Essa é a maior qualidade do projeto, trazer a tona este saber local.

Fernanda Martins durante a pesquisa.

Qual o objetivo do projeto? Quais as descobertas que a pesquisa tem revelado?

Em um primeiro momento era entender essa manifestação popular sob a ótica da tipografia e do design. Constatamos que esta manifestação ocorre desde Manaus, ao longo do Rio Amazonas. Também que há uma relação formal com a Tipografia Vitoriana mas não foi possível, naquela época, encontrar a relação real. Sabíamos de várias evidências materiais da época mas nada muito revelador.

Bem, no ano de 2013 entramos no Edital Amazônia Cultural do MinC com o objetivo de realizar um mapeamento deste ofício. Quem seria esse profissional? Como aprendeu? Ensinou outras pessoas? qual sua técnica? E mais, queríamos divulgar, ampliar este conhecimento, ensinar os jovens como uma forma de geração de renda atrelada a cultura local.

Daí surgiu este projeto, além das 40 entrevistas com mestre Abridores realizadas em agosto, que geraram um vídeo (que esteve na expo Cidade Gráfica), os objetivos eram realizar oficinas na cidades acessadas, com os mestres ensinando jovens ribeirinhos, envolvendo as escolas e o poder público, de forma a ampliar o interesse sobre o tema e talvez estimular outros jovens a se tornarem profissionais.

Em cada cidade, depois das oficinas será montada uma exposição dos trabalhos dos mestres (todos os entrevistados) e dos alunos, com o vídeo realizado, para que eles se vejam, se reconheçam e se orgulhem deste aspecto da cultura que era pouco valorizado.

O projeto passou por diversas localidades ribeirinhas descobrindo
quem são os mestres abridores que enfeitam os rios da Amazônia,
com as letras que flutuam.

Conte como tem sido o desenrolar do projeto para todos nós.

É um projeto de dificil operação, como qualquer projeto na Amazonia: distâncias, barcos, comunicação difícil, pouco interesse do poder público. Mas somos uma equipe muito envolvida e o Edital permite que seja possível realiza-la. O pior entrave é a falta de interesse do poder público pelas manifestações populares. Apenas uma prefeitura nos apoiou.

Foto de Marbo Mendonça




Porque o nome “abridores” de letras? O que estes sujeitos representam dentro de suas comunidades? Qual o valor percebido deste “fazer” para a cultura local dos envolvidos?

O ato de pintar a letra em uma superfície, seja barco ou parede é denominado "Abrir letras”. O profissional pintor, é o abridor. Localmente faz parte do universo Ribeirinho, identificando as embarcações, embelezando-as e demonstrando o cuidado que o dono tem por ela. Em um âmbito acadêmico, como expliquei, era invisível.


O projeto tem promovido workshops em comunidade ribeirinhas, certo? Conte-nos sobre os objetivos e resultados destes encontros.

As oficinas estão sendo realizadas neste momento, e muitos jovens talentosos estão se revelando. Mas acredito que o resultado mais importante é o grande interesse que as oficinas geraram e o fato de obtermos a participação da Prefeitura, e Secretaria de educação e cultura nas atividades. Seria muito bom que estes profissionais passassem a ser convidados a atuar em outros eventos, gerando renda para eles.

Também exporemos em Belém, depois de oficinas, para ampliar a visibilidade e valorizar este aspecto da cultura local. Em ultima instância, acreditamos que ele precisa ser encarado como uma referência para os designers da Amazônia.











Quem quiser ler a monografia (texto de 2007) de autoria da designer Fernanda Martins em sua especialização em Semiótica e Cultura Visual no ICA/UFPA, que deu origem ao projeto Letras que Flutuam, pode baixar clicando aqui. Abaixo matéria exibida na TV Cultura sobre o projeto, que vocês podem acompanhar pela página do facebook Letras Q Flutuam.




Admito que adoraria fazer um dos workshop de abridores de letras, e vocês?

9.9.14

Reciclando chinelos e
transformando uma comunidade










Julie Church é a idealista de um projeto que transforma chinelos descartados em belos e novos objetos, transformando vidas durante o processo. Um verdadeiro exemplo!

Entre 1997 e 1998, Julie Church, uma cientista marinha nascida e criada no Quênia, liderava o projeto de conservação e desenvolvimento da Reserva Marinha de Kiunga e ficava chocada com o acúmulo e poluição dos chinelos jogados nos mares e ilhas e/ou trazidos pelas águas.

Um dia, enquanto caminhava ao longo da costa ela notou algumas crianças transformando os chinelos em barcos de brinquedo…  daí surgiu sua inspiração. Logo Julie encorajou outras pessoas a os coletarem, lavarem, esculpindo-os para produzir novos e belos objetos coloridos.

Ela conseguiu convencer a WWF, onde trabalhava, a fazer a primeira encomenda de 15 mil porta-chaves e, em 2000, a Flip Flop Recycling Company (agora chamada de Ocean Sole) nasceu. Até hoje realiza seu trabalho artesanal, sustentável e social: transformando chinelos encontrados em praias, beiras de rios e ilhas em objetos decorativos coloridos, divertidos e reciclados!

Nossos oceanos estão se enchendo de plástico, que sujam
 nossas praias e prejudicam nossa vida marinha.



Os chinelos são coletados em rios e praias.

Os resíduos de chinelo são classificados em oficinas em Nairobi.

Depois são lavados.

…e secos


O roteiro para o resíduo de chinelo jogado fora como lixo se transformar em tesouro começa na costa com as mulheres que coletam chinelos usados ​​e sandálias velhas. Os resíduos coletados são cuidadosamente limpos e vendidos para a organização de Julie, onde seus 40 funcionários começam a tarefa mágica de transformá-los em todos os tipos de objetos divertidos, que vão de brinquedos a acessórios.

O trabalho é feito através de uma colagem de cores fortes e, em seguida, as formas são esculpidas no material para se transformar em brinquedo ou no animal desejado, por exemplo. Para dar acabamento, as peças são lixadas e lavadas novamente.

Hoje, a empresa produz 100 produtos diferentes, vendidos para zoológicos e aquários, além de peças de acessórios que recentemente foram usados em um desfile de moda em Paris.

As cores são montadas juntas e esculpidas

…e então lixadas para dar acabamento.





A organização recicla 400.000 chinelos por ano e cria peças comercializadas ao redor do mundo. Eles têm cerca de 100 pessoas trabalhando nessa produção, na cidade e em áreas remotas da costa, fornecendo os tão necessários empregos na região. A Ocean Sole se mantém recebendo 5% do lucro de seus produtos e 25% das esculturas gigantes.

“Eu não era capaz de comprar sapatos e tive que pegar empréstimos para vir à Nairobi em busca de emprego. Eu trabalho aqui há 6 anos… Hoje eu posso mandar meus 2 filhos à escola, alimentá-los e vesti-los bem. Montei uma pequena fazenda com duas vacas e eu vendo o leite aos meus vizinhos, gerando uma renda extra e investimento para meus filhos. A corporação me assiste quando eu fico doente e pagam minha conta do médico. Eu agradeço.” – diz Eric Mwandola, Artesão, Rhino Team.

Como se toda esta história já não fosse boa suficiente podemos acrescentar, além da melhoria da situação econômica da comunidade,  o ganho de auto-estima de todos os indivíduos envolvidos no processo da resignificação do resíduo coletado. Todos se sentem fazendo parte de algo maior e mais importante: o cuidado com o planeta. Todos os participantes se tornaram mais conscientes com relação ao meio ambiente.

Os organizadores da ONG acreditam que, ao aprender sobre a importância da biodiversidade marinha e da reciclagem, as pessoas envolvidas se tornam mais responsáveis por suas vidas e pelo ambiente em que vivem. Jackson Mbatha, artista que também recicla os chinelos, diz que a educação é a coisa mais importante que a ONG promove: "Meu segundo filho está aprendendo a trabalhar com esse material e parece bastante interessado em ajudar o meio ambiente, assim como eu".







Trabalhando em parceira com Julie Church e a Ocean Sole, o designer Diederik Schneemann criou uma série de objetos, que podem ser conferidos no video abaixo, os quais chamou de "A Flip Flop Story" (a história de um chinelo) onde pretende que o próprio material conte sua história:

"Descoloridos, desgastados, rasgados, remendados e eventualmente jogados fora ou perdidos. Depois de uma longa viagem através da Ásia ou da África, eles acabam nos esgotos e no oceano. Em seguida, são levadas para a costa da África Oriental. Lá eles são encontrados, coletados, e, eventualmente, recuperados. Transformados em uma coleção de objetos de design sustentável através do conto de suas viagens de aventura."







Gostou e quer ver mais? Vocês podem conferir o documentário de 25 minutos (clicando aqui) sobre a trajetória de "vida" dos chinelos até chegarem no projeto de reaproveitamento e serem resignificados. (em inglês, ok?)

via + via

24.6.14

Paula Dib e seu Design de Impacto Social

Trago hoje um apanhado sobre um assunto enriquecedor para todos nós, o Design de impacto social, aqui representado pelas práticas e projetos da designer brasileira Paula Dib. Paula Dib atua com foco no design centrado no ser humano, co-criando junto a comunidades urbanas e rurais, oferecendo novas soluções focadas no bem-estar e na transformação social local. Seus projetos tem como pilar a experimentação, trabalhando sobre valores fundamentais da vida de cada comunidade.





Impossível não se encantar com as palavras de Paula sobre sua visão do Design e sobre seu trabalho. Deixem-se inspirar com seu relato no texto abaixo "Caminhos no Design" escrito por ela para a Organización Latinoamérica de Producción Intelectual en la disciplina del Diseño:

"O que me encanta no design é a amplitude de ferramentas desenvolvidas e estimuladas que temos como criativos, e como ele nos convida a utilizá-las para melhorar da vida das pessoas. Seja no âmbito que for, da criação da embalagem de shampoo, a cama, sofá ou poltrona. Essa relação do design com as pessoas é absolutamente fascinante e enriquecedora. O caldo para criação é farto, cheio de nuances, temperos e sabores.

Isto nos leva a um outro estágio de envolvimento e consequentemente de percepção, que amplia enormemente o leque de possibilidades e caminhos. Ganha uma “realidade ampliada”, pois se afasta do ponto de vista unitário do criador e parte para a força da visão do todo.

Este é o design inclusivo, generoso, atento, observador, estimulador de potencialidades, que nascem de um exercício coletivo de experimentação e descoberta.

Sob esta perspetiva, ao analisarmos a realidade brasileira vemos que de um ponto de vista mercadológico e social o Brasil estruturou-se através de um modelo de desenvolvimento excludente, onde de um lado, temos o país emergente dos grandes centros urbanos, visando um desenvolvimento em moldes estrangeiros, e de outro, o Brasil regional, muitas vezes sub-desenvolvido -ou sub-valorizado- mas com ricas expressões culturais e sociais.

Considerando este contexto, a proposta de atuação é unir, através do design, esses dois pólos sociais brasileiros, desenvolvendo produtos juntamente com comunidades artesanais, criando alternativas de renda, gerando auto-estima e valorizando sua cultura e identidade regionais originais brasileiras.

Neste processo de aproximação, percebemos a mudança da visão do design X artesanato como dois campos diferentes. Começamos a considerar design E artesanato como uma rica confluência que ultrapassa as fronteiras do design, em busca de um delicado equilíbrio entre tradição, modernidade, cultura, arte, conduta, política, natureza e questões sociais.

Com relação à metodologia aplicada, o trabalho acontece principalmente em comunidades urbanas e rurais de produção artesanal em todo território brasileiro.

O desenvolvimento tem início com um diagnóstico, à principio de observação da vida como um todo, dos costumes, das tradições, do ritmo local, das crenças, das lideranças, da natureza. É um momento de sentir, pois os lugares influenciam as pessoas, e as pessoas influenciam os lugares.

Cada local tem sua própria natureza, cada pessoa tem sua própria natureza. Para entender a natureza de cada local é preciso saber qual é a intenção e, ao observar, estar consciente de que observamos por um ponto de vista.

Pois nossa visão é essencialmente subjetiva baseada nas nossas experiências pessoais, estudos, valores, ética e principalmente nas experiências sensoriais. Nessa colheita de sensações: formas, cores, cheiros, texturas nos permitem alcançar um estado mais limpo de percepção.

E então, partindo do espaço e das pessoas que ali vivem, como princípio organizador, estabelece-se o ritmo e desenvolvimento do trabalho.

É fundamental desenvolver a observação criativa e viver o local com um profundo sentimento de relacionamento. Percepção requer envolvimento. Enxergar a totalidade, vivenciar cada detalhe.

Respeitar técnicas tradicionais, o uso e extração das matérias primas, os processos e o tempo de cada lugar e trabalhar com entusiasmo para renovar e redescobrir.

Consciente destes tantos aspectos, desafiar conjuntamente todas as coisas a serem diferentes e se desafiar a pensar diferente. Baseando-se em recursos e habilidades locais, utilizando todos instrumentos e ferramentas criativas, oriundas do design.

Pois, construir a partir de verdades é um exercício maravilhoso."




Se você ficou curioso para ver o trabalho da Paula confira o video acima onde ela apresenta o projeto de brinquedos pedagógicos em Moçambique com bio-construção e confira as estampas africanas (clicando aqui) co-criadas em uma oficina juntamente com alguns locais.


Além de sua rica trajetória Paula foi vencedora do prêmio International Young Design Entrepreneurs of the Year de 2006, e co-dirigiu um documentário sobre os mestres do couro da região do Cariri. Foi homenageada pela revista Trip como Transformadora 2013 e em seu caminho do sertão do Ceará a África, passando por  Londres, Paula valoriza os processos e as pessoas, que são sua principal matéria-prima.




Um pouco mais sobre o trabalho da Paula ilustrado por imagens abaixo. Para ver e saber mais detalhes acessem o Behance dela.














Gostou de conhecer a Paula Dib e quer saber mais sobre seu trabalho? Acesse o site dela clicando aqui e confira mais esta entrevista com esta designer de idéias fascinantes. Curtam o video da entrevista abaixo (em inglês) para o site Design Indaba onde Paula Dib fala juntamente com Adélia Borges, ao evento What Design Can Do de 2011, sobre o projeto de Design que tem como compromisso melhorar vidas.




E aí? Curtiu saber que o design pode ajudar pessoas e construir comunidades melhores? Quatro designers falam sobre estas questões no site Design Indaba. Lá você também encontra outra entrevista com a Paula Dib.

Para ler mais sobre Design Social acessem o livro Sustainist Design Guide e o livro Design for Social Impact da Ideo. Tenho algumas referências para vocês no meu slideshare. Boa pesquisa :)