Começa o ano e logo surgem aquelas matérias prontas sobre as tendências do ano, algumas sobre design outras sobre cores. Na verdade nunca reconheci estas "tendências" como qualquer tipo de visão de futuro. Todas as tendências divulgadas geralmente são apenas a compilação do que já tem sido mais usado e buscado no últimos tempos. Logo, deveriam se chamar "retrospectiva" ou "constatação" e não "tendência" :)
Esta é uma ocasião perfeita para trazer o texto que li ano passado "The next design trend is one that eliminates all choices" ou "A próxima tendência de design é uma que elimina todas as escolhas" que traz o Paradoxo da Escolha do psicólogo Barry Schwartz que delineou a paralisia e insatisfação que sentimos quando nos são apresentadas muitas opções. O texto também traz a opinião do CEO da HUGE, Aaron Shapiro que, segundo sua experiência, não só há um número limitado de opções como não há nenhuma escolha. Para Shapiro a "escolha é supervalorizada e o próximo grande avanço em design e tecnologia será a criação de produtos, serviços e experiências que eliminam as escolhas desnecessárias de nossas vidas e as fazem em nosso nome, libertando-nos: este seria o design antecipatório."
Segundo descrito no texto, idealmente, o design antecipatório poderia prevenir aquele sentimento paralisante que temos quando se apresentam muitas opções, como se vestir de manhã, sem que você precise usar um uniforme sem graça: pode selecionar automaticamente uma roupa para você com base em suas atividades do dia, extraídas de seu calendário e as condições meteorológicas. Pode até certificar-se de que sua roupa é elegante :)
Shapiro prevê uma experiência de usuário altamente adaptada com base em padrões individuais: "O design é mercado de massa, mas usando o design de antecipação, os dados podem criar experiências individuais, uma experiência de usuário para cada um", diz ele, descrevendo uma convergência de projeto e dados científicos. "Há oportunidade de se conectar todos os sistemas diferentes e usar os dados para simplificar a vida das pessoas. Eu acho que isso será muito transformador."
Mas sempre temos as questões éticas para pensar: podemos confiar em um sistema com nossos dados pessoais? Como fica a questão da privacidade? Será que as empresas (ou governos) explorariam os dados para encaminhar suas agendas? Será que a criação de um sistema totalmente automatizado não geraria em nós uma vontade em quebrar, justamente, estes padrões/rotinas?
Este assunto dá um bom debate sobre liberdades individuais mas não entremos neste papo sem antes assistir a palestra sobre o "Paradoxo da Escolha" do psicólogo Barry Schwartz que mira em um dos dogmas centrais da sociedade ocidental: a liberdade de escolha. Schwartz estima que a escolha nos tornou menos livres e mais paralisados, mais insatisfeitos em vez de mais felizes:
"...ter muitas opções de escolha produz paralisia e não sensação de liberdade. E mesmo se vencermos a etapa da paralisia e conseguirmos realizar a escolha, nós ficaremos menos satisfeitos com esta opção do que se tivéssemos tido menos opções para escolher..."
Concordando ou não, voltemos às pesquisas de tendências. Quando são divulgadas estas tendências muitos criativos se valem destas informações para basear suas criações. Ora, o que esses infográficos fazem é exatamente diminuir suas escolhas e mostrar o que já tem sido feito, não acham? Neste caso muitos criativos que se inspiram nestas tendências entram no efeito manada. Acho pouco criativo se espelhar nestas tendências, mas ao mesmo tempo acho importante minimizarmos nossas escolhas, em alguns casos, e evitar a paralisia.
Equilíbrio e, principalmente, saber a hora de minimizar nossas escolhas é o segredo do sucesso :) tanto para os momentos de criação ( como eu já trouxe aqui) quanto para diminuirmos nossas expectativas e sermos mais felizes com nossas escolhas diárias. Para pensar e repensar!
Eu sempre puxo o papo aqui sobre o que podemos fazer enquanto designers, não é? Pois então acho que vale a pena vocês ficarem atentos a dois eventos que acontecem anualmente e tem como foco projetos e profissionais que procuram fazer a diferença:
No Rio de Janeiro temos o Entremeios, que acontece anualmente sempre com convidados internacionais, mesas redondas e workshops. Promovido pelo Laboratório de Design e Antropologia da ESDI/UERJ encerrou o seu segundo ano agora em novembro de 2015. Fiquem atentos a página do evento para a próxima edição.
Em São Paulo teremos este ano a edição do internacional What Design Can Do! Criado em 2011, para reunir os designers de todas as disciplinas para apresentar e debater o poder e o papel do design como uma ferramenta para a inovação social.
O What Design Can Do! vai acontecer nos dias 07 e 08 de dezembro na FAAP e quer mostrar ao público do que o design é capaz e, principalmente, que o design não se limita a tornar as coisas mais bonitas, mas trata de resolver problemas e melhorar o bem estar humano.
A idéia é juntar designers, arquitetos, jornalistas, estilistas e chefs de cozinha para trocar experiências criativas e discutir sobre visões do design em temas relevantes relacionados com as questões urbanas, consciência cultural e natureza através de debates e sessões especiais com mesas redondas e workshops.
O artesão curitibano José Cechin começou em 2013 a construir guitarras feitas com caixas de charuto. Foi apresentado às cigar box guitar ou guitarra de caixa de charutos por um amigo e começou a construi-las em sua pequena oficina em Colombo, no Paraná.
As guitarras de caixa de charutos nasceram da necessidade, em uma época em que instrumentos feitos por construtores tradicionais era inacessível. Os primeiros registros remontam à Guerra Civil Americana (1861-1865), mesma época em que as caixas de charuto se tornaram comuns, conforme cita a matéria da Gazeta do Povo que merece ser citada aqui ;)
Exemplos como este renovam nossas idéias e nos impulsionam em busca de novas e boas soluções. No video abaixo o próprio artesão fala sobre sua experiência e toca o instrumento. Uma delícia de ouvir, aliás.
Esta iniciativa deste "maker" entra para o nosso repertório, para nos ajudar a pensarmos juntos!
Estávamos falando em ativismo no design na postagem anterior, não foi? Pois aqui temos um ativismo lindo, um projeto que saiu do coração e de uma experiência pessoal, o que o torna mais potente ainda. Estas foram as minhas impressões sobre o projeto Empatia de Mayla Tanferri.
O projeto final de graduação da designer May Tanferri é um projeto conceitual com um enfoque muito pessoal de uma grande partilha de sua experiência com o mundo. Um projeto que, provavelmente, foi libertador e vai ajudar muitas outras pessoas com experiências parecidas. Uma forma de reinterpretar sua experiência pessoal com suas cicatrizes de queimaduras e externar um pouco dos seus sentimentos com todos, mas principalmente mostrando a quem está passando pela mesma experiência, que não está sozinho. Uma coisa é certa: ela já tocou muitos com seu projeto!
Empatia é um projeto que questiona o modo como olhamos as cicatrizes, à partir da experiência da designer com um acidente de queimadura. O objetivo de Mayla é mostrar que independente da forma de lesão; uma queimadura, uma cirurgia ou um tratamento, uma cicatriz indica que o corpo se curou, e é uma evidência única de uma experiência de sobrevivência.
O kit contém uma bonequinha em formato toy art chamada Mia, que usa malhas compressivas e têm as mesmas cicatrizes de Mayla. Além disso, o box conta com muitas informações, como a importância do uso dessa malha, dicas de alimentação e cuidados para ajudar na recuperação do tecido lesado. A expectativa de Mayla agora é conseguir uma parceria para doar esses kits a quem precisa e, assim, auxilar os pequenos na retomada da confiança e na alegria de viver.
Dá para pensar em muitas coisas admirando este projeto, mas principalmente como o bom design não é apenas gráfico, digital ou de produto. Podemos pensar também no potencial dos projetos conceituais e pessoais, projetos como histórias contadas pelo coração e vinda de uma experiência cheios de potência criativa, de onde podem surgir grandes inovações.
Este projeto foi selecionado para a 11a Bienal Brasileira de Design Gráfico (2015) como Projeto Acadêmico, e ainda ganhou o prêmio de Destaque. Super merecido! Admirem o projeto escrito e criado por May Tanferri também no documento que a designer compartilhou e vocês podem conferir clicando abaixo:
Podemos também trazer que o designer ativista está ancorado no design autoral e, geralmente, pretende transmitir uma mensagem que considera importante, que têm como fundamento manifestações políticas, ambientais ou sociais.
Tá. Ok. Entendi. Mas como eu faço isso? Bom, nós, designers, podemos contribuir diariamente em nossa atuação profissional. Para entendermos melhor convido-os a conhecer Fabio Lopez, carioca, designer e mestre pela ESDI/UERJ, e professor da PUC-Rio. Em 2015 publicou o projeto mini Rio, uma homenagem e um extenso exercício de representação visual que resultou na criação de mais de 200 pictogramas e padronagens sobre a cidade do Rio de Janeiro. É autor dos projetos War in Rio, Bando Imobiliário Carioca e Batalha na Vala, tríade de paródias que aborda o tema da violência urbana na cidade do Rio de Janeiro. Trabalhou na criação da marca dos Jogos Olímpicos 'Rio 2016' (é ele no video abaixo a partir do minuto 3:06) e desenvolveu a identidade visual do Centro Carioca de Design, além de diversos outros projetos, também pesquisa design filatélico e desenvolve selos postais para os Correios do Brasil.
Sobre a trajetória de Fabio Lopez
"Depois de 15 anos de carreira, ao renovar meu cartão de visitas, escrevi embaixo do meu nome algo que me orgulho muito de ostentar: designer independente. Isso quer dizer que consegui algum tipo de autonomia profissional - bem como confiança e maturidade - para determinar o que quero fazer e onde quero investir meus esforços criativos. Seguramente não era o tipo de coisa que eu almejava como definição quando era estudante ou recém formado. Talvez eu quisesse ter minha própria agência de design, com clientes grandes, cadeiras caras, reuniões intermináveis... Hoje em dia tudo que eu quero é sentir cada vez mais o vento na cara e poder escolher os projetos que desejo realizar - e isso me custou muito empenho para escrever outra coisa no meu cartão pessoal (o que não exclui reuniões, clientes e cadeiras - não tão caras, rs)."
Fabio Lopez acredita que o design gráfico é um poderoso instrumento de produção cultural e discussão política
"Quando assisti o primeiro 'Tropa de Elite' numa segunda feira chuvosa e feia, fui sozinho, pra pensar... O filme já era aquele sucesso: todos repetindo as frases do Capitão Nascimento e idolatrando o Bope como justiceiros da cidade, sem aprofundar o que aquilo significava de fato. Sempre me interessei muito pelas questões de segurança pública da cidade, em função do tamanho do problema e da maneira como ele afeta a todos nós, cariocas ou não. Então tudo isso (o filme e a repercussão) me perturbava um bocado, sobretudo pela maneira excessivamente descontraída como as pessoas estavam se relacionando com um tema pesado, triste e que impactava muitas pessoas de um jeito muito duro para virar piada."
"Saí do cinema num clima pesadão (apesar de ter curtido o que vi, é uma produção muito boa), olhei em volta e pensei 'estou no set de filmagem, que merda'. O filme desceu de lado, e eu resolvi realizar um projeto que há muito adormecia na gaveta. Foi o incentivo, o empurrão e o contexto de criação, ou seja, o caldo onde esse coacervado resolveu vertebrar-se ao contato dessa faísca proporcionada pelo filme do Padilha."
Assim surgiu o jogo manifesto WAR IN RIO de Fabio Lopez.
War in Rio - primeiro jogo manifesto de Fabio Lopez
"O 'Tropa 2' tem um discurso bem mais maduro (assim como o Bando Imobiliário), e conta uma história ainda mais profunda. A sequência me veio instantaneamente, como opção à prostração, tristeza e a desesperança que o filme consolida."
Bando Imobiliário Carioca - jogo manifesto de Fabio Lopez
"Costumo dizer que nem sempre a força motriz de um bom projeto provém de uma energia estritamente 'positiva'. Muito pelo contrário, as vezes raiva, angústia e indignação são elementos mais poderosos para te colocar em ação que esperança ou vontade de fazer o bem. Não só a violência urbana, mas a injustiça social desse país é /ou deveria ser um agente catalisador de grandes projetos pessoais, autorais e independentes. Nem todo mundo tem vocação para ação, mas não é pouca coisa parar o que se está fazendo, ou redirecionar seu discurso para causas realmente importantes - no lugar de simplesmente alimentar a máquina de consumo. São 5 minutos que você rouba das pessoas para desperta-las desse constante estado de anestesia. O resto do tempo é preenchido com entretenimento - algo que tanto aqueles filmes como meus projetos não deveriam ser."
Batalha na Vala - mais um da série de manifestos sobre a violência urbana
Sobre ser um designer ativista
"Tomando ao pé da letra o termo, geralmente meu ativismo fica por conta de minha atividade acadêmica. É uma geração muito carente de mentores, por que a maioria dos profissionais reconhecidos no mercado está associado à maquinação do consumo e não ao pensamento crítico (como há alguns anos atrás já não foi assim). Nessa batalha silenciosa da academia, estou investindo minhas energias há alguns bons anos."
"Todo designer que está envolvido com educação é ativista por natureza - derive seu envolvimento de uma convicção ou necessidade. Passo boa parte do meu tempo trabalhando em prol da capacitação profissional de novos designers - tenho feito isso nos últimos anos - e essa é uma ação concreta de transformação. Mas não vejo muito sentido em buscar algum tipo de classificação pra determinar se esta ou aquela ação se enquadra na definição clássica de 'ativismo' (no sentido mais físico ou concreto da palavra). Todo projeto é uma afirmação capaz de impactar em algum nível a sociedade: a grande questão é saber de que maneira queremos fazê-lo, qual a mensagem, ou quem e o quê estamos querendo transformar."
Sobre o papel dos designers na realidade social e política de nossas cidades, país e mundo
"Designers sabem manusear como poucos profissionais ferramentas de comunicação muito poderosas: vivemos num mundo intermediado por imagens, e somos produtores altamente capacitados de forma e conteúdo. Podemos usar nossa expertise profissional para convencer as pessoas a amarem uma marca ou ampliar as vendas de um salgadinho - ou para evidenciar, destacar e denunciar algo importante e de interesse coletivo. Infelizmente, a grande maioria dos designers não pode simplesmente escolher um caminho pelo qual deseja seguir: o dinheiro circula através das redes de financiamento do consumo e romper com essa estrutura nem sempre é uma opção simples, ou uma escolha propriamente dita. Gostaria muito que todos saltassem desse bonde desenfreado do consumo, mas isso é uma utopia à qual não me permito acreditar. Quem sabe criamos linhas paralelas de atuação, até criarmos modelos de financiamento capazes de competir em pé de igualdade com a indústria do consumo. Aos pouquinhos, cuidando com mais carinho das novas gerações, proporcionando espaços de reflexão, experimentando alternativas de empreendedorismo e remuneração independente, talvez equilibremos essa balança. O que não podemos aceitar é a ditadura do consumo como modelo único de atuação: essa é uma compactação atrofiada de nossa capacidade profissional, inadmissível. Podemos muito mais que isso!"
Fabio também criou o manifesto "12 passos para um Design não solicitado" no qual o texto sugere em 12 etapas a criação de um design propositivo e não solicitado para fazer a diferença. Neste, Fabio Lopez pensou no designer empreendedor e no designer ativista porque "o designer ativista é um empreendedor de causas e discursos. Então é uma separação muito sutil, geralmente associada à remuneração ou exploração comercial de suas ideias. Mas até isso pode ser relativizado."
"O 'manifesto' é uma adaptação de um texto muito interessante do arquiteto australiano Rory Hyde, que propõe em seu campo de trabalho e pesquisa uma atuação pautada pelo empreendedorismo pessoal através de iniciativas 'não solicitadas' de projeto. Ou seja, você encontra o problema e/ou oportunidade no seu entorno e propõe uma solução ou ação projetual, sem necessariamente a existência de um cliente ou de uma demanda formal de trabalho. Estou trabalhando para consolidar o projeto mini Rio como uma oportunidade comercial independente e propositiva, por exemplo. Não sei se a ideia original de Mr. Hyde estabelecia algum tipo de distinção entre 'ativismo' e 'ação empreendedora', mas eu não faço isso nessa versão adaptada. Não sei se por 'ativismo' as pessoas entendem uma ação dissociada de remuneração ou retorno financeiro, mas isto não está lavrado em nenhuma parede de mármore ou nos 10 mandamentos do bom designer, rs. O designer-empreendedor é ativista por natureza, assim como o professor, assim como o cara que trabalha pelo salgadinho safado (um mau ativista), e também aquele que propõe algum tipo de reflexão sobre sua prática profissional..."
"Design é ativismo, e nesse sentido é muito importante refletirmos sobre as causas pelas quais nos colocamos em ação." Fabio Lopez
A intenção aqui é provocar o pensamento crítico de nossa atuação enquanto profissionais. No meu ponto de vista o profissional de Design tem acesso a conhecimentos importantes, e cabe a nós aplica-los da melhor forma possível.
Nossa atuação profissional é a forma como colocamos em prática todos os valores no qual acreditamos como ideais para a nossa vida e da nossa sociedade. Porque não sermos mais críticos e mais conscientes de nosso papel dentro do social?
Nada melhor para finalizar esta postagem com chave de ouro do que trazer uma frase de Fabio Lopez direto do site de um de seus jogos:
Faça das horas vagas um tempo nobre, dedicado ao exercício de questões pessoais e boas idéias. Sua profissão pode ter um papel fundamental na criação de uma comunidade mais engajada e consciente.
Torne visível o que te incomoda: o design é a sua voz!
"Se olharmos para o passado poderemos encontrar vários exemplos onde o design floresceu em períodos de recessão contribuindo para o sucesso das empresas que usaram a sua capacidade criativa [...]
Como designers teremos o desafio de realizar nosso trabalho considerando cada vez mais as reais necessidades das pessoas e da sociedade. Teremos que criar e promover uma experiência legítima e uma relação afetiva dos objetos, serviços e marcas com o nosso público. Será nosso papel incentivar a produção local, industrial e artesanal, minimizando a importação de manufaturados e insumos.
Continuará a ser nossa obrigação ética projetar produtos mais inteligentes e duráveis, fáceis de serem reparados pelo próprio consumidor, eficientes, econômicos e com baixo impacto sobre o meio ambiente."
Resolvi replicar aqui (acima) este trecho do texto de Angela Carvalho sobre Design em tempos de crise, no qual ela cita o texto de Michael Cannell "Design loves a Depression" de 2009 que eu também achei bem pertinente para o nosso momento brasileiro. O debate é muito interessante para pensarmos que, principalmente em um momento de crise, o design tem muitos caminhos a trilhar como citou Angela.
Novas oportunidades surgem também quando os designers mudam seu foco de atenção dos bens de consumo para necessidades mais urgentes como infraestrutura, habitação, planejamento urbano, mobilidade, energia, saúde, entre outros. Afinal, nós designers somos os profissionais adequados e preparados para trazer novas maneiras de olhar para problemas complexos. Já pararam para pensar quanta demanda existe? Quantas oportunidades de melhorias?
Neste ponto tem gente pensando 'mas como um designer faz isso?' e eu respondo 'utilizando o que você aprendeu sobre design thinking e design de serviços, por exemplo'. Chegou a hora de arregaçar as mangas e colocar em prática aquele cursinho que você fez, chegou o momento de mostrar para os clientes como podemos fazer mais pelo negócio dele e pela sociedade, além da comunicação de intenções da marca.
Nada melhor do que um bom debate para mexer com nossas idéias... então finalizo deixando questões no ar com um contraponto ao artigo de Cannell, uma réplica espirituosa, também datada do mesmo ano, chamada "Design Hates a Depression" de Murray Moss do site Design Observer. O que vocês acham? O design se torna mais criativo com restrições?
“O Design gosta de crise porque crise é sinônimo de problemas e oportunidades, e o Design se dá bem com os dois.” Lincoln Seragini
Um fato comum para quem tem plantas em casa ou no escritório é que conforme as plantas crescem precisam ser trocadas de vaso para outros maiores para que se desenvolva de forma saudável, certo? Pois aqui temos o projeto do Studio Ayaskan que criou uma solução para esse problema.
Growth é um vaso de plantas inspirado nos origamis, que se expande se desdobrando conforme a planta cresce, não prejudicando o desenvolvimento das raízes. Cada vaso pode se expandir em até cinco vezes o seu volume original, tanto naturalmente, pelo crescimento das raízes, quanto como resultado de intervenção humana, tornando o processo de re-envasamento desnecessário. :) Sensacional, não?
Esta postagem é para abrir a mente e levantar pensamentos :)
Começamos com uma visão atual e um projeção de um futuro próximo: um "produto" hoje raramente é apenas físico e as expectativas do consumidor para estes produtos são de experiências significativas, maiores do que nunca. O desafio para os designers é trazer empatia e sensibilidade para o seu trabalho, independentemente das ferramentas e tecnologias à sua disposição. O bom designer será o bom "tradutor" das expectativas em uma "entrega" de uma experiência. Ai entram questões mais elaboradas e muito mais importantes além da simples polêmica simplista sobre desenhos de marca e uso de softwares. Devemos abandonar o simples debate técnico e adotar um pensamento holístico.
Segue importante trecho traduzido e adaptado do video acima:
"Vemos muitos ensinamentos sobre 'o que' e 'como' e o 'porque' parece ter ficado de lado, sido negligenciado, mas é a habilidade mais importante. Entender os aspectos contextuais é muito importante não apenas para determinar o que projetar, mas principalmente porque projetar [...] as pessoas consideram o profissional de design um criativo "solucionador de problemas", mas ser designer também é sobre 'colocar as coisas no mundo', em um mundo de pessoas, culturas e relações sociais."
Este mundo de pessoas se tornou um mundo de expectativas que são vendidas e devem ser entregues. Isso significa que o desafio para as organizações grandes e pequenas é a mesma: criar melhores experiências e aprofundar as relações com os consumidores, diminuindo a lacuna entre a expectativa (promessa) e a experiência do consumidor (entrega).
Aqui nesta conversa se encaixam perfeitamente os novos dispositivos 'wearables', roupas e acessórios que incorporam tecnologias de eletrônica e computação avançados. Não podemos ignorar as possibilidades, os usos potenciais mas também a especulação e os caminhos da computação incorporada em objetos de nosso dia-a-dia. Alguns exemplos são as iniciativas do Nike FuelBand e do Google Glass.
Afinal as tecnologias estão se transformando e ao longo dos anos e, em breve, dispositivos poderão ser levados como partes integrantes de nossas roupas e corpos sendo projetados para usarmos quase sem pensar. Acho importante lembrar que em muitos casos estas tecnologias podem não ser apropriadas pelas pessoas como elas foram projetadas. Muitos de nós e, principalmente, as novas gerações não serão passivas em relação a estas tecnologias encontrando novos usos para as mesmas ou até mesmo negando-se a incorpora-las em seu dia-a-dia. Sabemos que apenas uma pesquisa empírica, em cada cultura, poderá nos revelar tais fatos. Um bom exemplo para este debate é como o Google Glass foi recebido pelas pessoas quando estava em teste. A questão se desenrolou pra a aplicação da tecnologia em lentes de contato. Ai temos muito debate acerca de ética nos usos destas novas tecnologias e direito a privacidade. Mas o que vale é pensar e debater!
Como é que a tecnologia "de vestir" (wearable) se encaixa em nossas vidas diárias? É uma tendência passageira, ou o futuro da computação? Será que viraremos seres híbridos? :)
Você já lambeu um cactos? Provavelmente não :) Então, esta é a proposta dos "picolés perigosos", Dangerous popsicles , uma coleção de picolés em formatos estranhos inspirados nos formatos de cactos e bactérias/vírus potencialmente mortais. É a estética e o design mudando a experiência do consumidor!
Você nunca pensou que teria curiosidade em colocar essas "coisas perigosas" na sua língua voluntariamente, né? Pois, no mínimo podemos dizer que existe beleza em coisas que normalmente nos parecem hostis. Wei Li, designer de San Francisco, propôs esta forma de brincar com a forma e mudar a percepção das coisas, propondo uma outra, nova, visão do mundo para estimular a nossa imaginação, acostumada a códigos sociais predeterminados.
Esse picolés visam criar uma experiência sensorial única e conflitante. Antes de provar com sua língua, aprecie com os olhos e mate a curiosidade da sua mente. Os picolés são nada além de água e açúcar, mas as idéias de bactéria e vírus mortais, além dos espinhosos cactos, são suficientes para estimular os seus sentidos antes mesmo do primeiro sabor. A idéia é impulsionar o consumidor para sair de sua zona de conforto!
As formas dos picolés foram modelados e impresso primeiramente em software 3D e, em seguida, impressos em uma impressora 3D. As formas impressas em 3D foram então usadas como originais para fazer os moldes de silicone.
Um blog sobre Design e idéias criativas mais abrangentes, que respeitem suas raízes e as pessoas envolvidas, escrito por Carol Hoffmann. Sejam bem vindos e sintam-se em casa!