Você sempre quis fazer algo ligado a reciclagem ou reaproveitamento mas achava tudo muito complicado? Pois olha o que o designer Dave Hakkens criou: uma oficina modelo prática e acessível de reciclagem plástico! A proposta é tornar a reciclagem dos plásticos possível em um pequeno espaço e em pequena escada, nada que precise se parecer com uma indústria, na verdade pode ser até uma lojinha atelier mesmo.
O autor tem um canal no you Tube onde explica grande parte do como fazer e usar os equipamentos que criou e a idéia é como um kit, o projeto Precious Plastic. Tem página no facebook também e fiquei pensando como eu não conheci isso antes rsrsrs pois o projeto é de 2013!
Dave levou 2 anos para desenvolver os projetos das máquinas que reciclariam o residuo de plástico localmente. O próximo passo foi compartilhar, gratuitamente, como as máquinas foram desenvolvidas bem dentro da idéia de Open Design. As máquinas podem montadas usando materiais e ferramentas bem básicas, a partir de modelos com "código aberto online" gratuito para que as pessoas possam reconstrui-las pelo mundo.
A idéia é levarmos nos a ação! Então corre no site Precious Plastic para aprender tudo e monte o seu atelier agora mesmo :)
Estávamos falando em ativismo no design na postagem anterior, não foi? Pois aqui temos um ativismo lindo, um projeto que saiu do coração e de uma experiência pessoal, o que o torna mais potente ainda. Estas foram as minhas impressões sobre o projeto Empatia de Mayla Tanferri.
O projeto final de graduação da designer May Tanferri é um projeto conceitual com um enfoque muito pessoal de uma grande partilha de sua experiência com o mundo. Um projeto que, provavelmente, foi libertador e vai ajudar muitas outras pessoas com experiências parecidas. Uma forma de reinterpretar sua experiência pessoal com suas cicatrizes de queimaduras e externar um pouco dos seus sentimentos com todos, mas principalmente mostrando a quem está passando pela mesma experiência, que não está sozinho. Uma coisa é certa: ela já tocou muitos com seu projeto!
Empatia é um projeto que questiona o modo como olhamos as cicatrizes, à partir da experiência da designer com um acidente de queimadura. O objetivo de Mayla é mostrar que independente da forma de lesão; uma queimadura, uma cirurgia ou um tratamento, uma cicatriz indica que o corpo se curou, e é uma evidência única de uma experiência de sobrevivência.
O kit contém uma bonequinha em formato toy art chamada Mia, que usa malhas compressivas e têm as mesmas cicatrizes de Mayla. Além disso, o box conta com muitas informações, como a importância do uso dessa malha, dicas de alimentação e cuidados para ajudar na recuperação do tecido lesado. A expectativa de Mayla agora é conseguir uma parceria para doar esses kits a quem precisa e, assim, auxilar os pequenos na retomada da confiança e na alegria de viver.
Dá para pensar em muitas coisas admirando este projeto, mas principalmente como o bom design não é apenas gráfico, digital ou de produto. Podemos pensar também no potencial dos projetos conceituais e pessoais, projetos como histórias contadas pelo coração e vinda de uma experiência cheios de potência criativa, de onde podem surgir grandes inovações.
Este projeto foi selecionado para a 11a Bienal Brasileira de Design Gráfico (2015) como Projeto Acadêmico, e ainda ganhou o prêmio de Destaque. Super merecido! Admirem o projeto escrito e criado por May Tanferri também no documento que a designer compartilhou e vocês podem conferir clicando abaixo:
Assim foi meu primeiro contato com Edson Matsuo. Um criativo que me encantou com a forma como lida com sua própria imagem, história de vida e como valoriza sua equipe. Matsuo se denomina um ativista criativo (e não diretor) da Grendene. Ele e sua equipe são responsáveis por criações das diversas marcas da empresa, entre elas a Melissa. É uma daquelas raras pessoas que tem uma marca pessoal muito forte (com marcadores simbólicos na forma de sua cartola e óculos de armação redonda, ambos na cor preta) e é um profissional que transborda energia criativa: qualquer minuto com ele, mesmo em um bate papo rápido, é certeza de muito aprendizado.
por Marcelo Fiori e Karina Vaz
Edson Matsuo por Airton Sato
Quando solicitei uma imagem que pudesse usar nesta postagem ele sugeriu que eu usasse uma imagem minha com sua cartola e óculos :), afinal todos somos uma misto de nossos encontros, um híbrido de experiências e nada melhor para representar este encontro que pretendo aqui “retratar” para vocês!
Esta é a forma mais visível para vocês captarem como este grande criativo pensa e trabalha, COM as pessoas: "PEOPLE FIRST". Também não existe melhor forma de expressar como fui impactada e inspirada por nosso bate papo do que usar sua cartola e óculos como uma representação do cruzamento de caminhos e percepções. Desta forma ele segue construindo a si próprio, com um olhar muito especial sempre voltado para as pessoas a sua volta e os entrelaçamentos de idéias e trajetórias. Esta construção de si com os outros é constante para Edson Matsuo, que atualiza sua imagem de perfil nas redes sociais sempre com imagens de amigos e família trajando seus simbólicos objetos. Uma pessoa que marca, certamente!
Entrei no clima banzai com desenho mesmo :)
Amigos e família de Matsuo
de Pedro Matsuo
Uma pessoa curiosa por natureza, Matsuo encontra em suas inquietudes as melhores formas de busca de novos pontos de vista, fazendo disto um estado mental que procura manter em si mesmo e "contaminar” sua equipe. Passo a palavra agora para o próprio Edson Matsuo. Aproveitem!
Sobre suas inspirações pessoais e sua trajetória.
“Eu nunca tive preocupação de saber o que eu fiz, sempre fui fazendo.
O que eu já fiz, é passado. Então tenho que fazer melhor. Mas com o tempo, você precisa perceber qual é o seu padrão e a trajetória que você percorreu. A minha sempre foi movida pela curiosidade e uma necessidade de querer saber. “
“Eu queria saber coisas novas. Mas para conhecer o novo eu precisei correr atrás. Nasci no interior do Paraná, e usava o esporte para conhecer este “novo” através das viagens. Comecei no baseball, onde meu pai era técnico. Depois passei a jogar tênis de mesa, porque viajava mais. Fui campeão paranaense juvenil. Joguei em São Paulo pelo Palmeiras. Viajei o Brasil todo, também pelo Chile e Argentina, sempre através do esporte. Eu gostava do esporte, mas gostava mais ainda de viajar e conhecer gente nova.”
"Terceira fileira de baixo para cima.
quarta pessoa contando da esquerda para a direita" Edson Matsuo quando jogava baseball.
"Contador do Juiz de Baseball do pai de Matsuo e técnico CAMPEÃO na foto do time infantil de Baseball de Maringá Paraná (ele com uniforme atrás a direita e eu na primeira fileira, terceiro da esquerda para a direita)" Edson Matsuo
“Já naquela época, eu desenhava e fazia a minha raquete com o material e a madeira que eu escolhia. Eu mesmo colocava a borracha japonesa. Estudava a batida da raquete. Corria atrás da madeira de caixa de bacalhau e importados para isso, porque raquete importada era caríssima. Muitas vezes a 'viagem' está em você mesmo.”
"Na primeira fileira duas garotas e um menino, sou este menino." Edson Matsuo na época que jogava tênis de mesa
“Minha mãe era mais artista e foi a primeira a me dar uma régua T. O acesso ao novo sempre esteve presente na minha vida. Quando fui convidado a trabalhar na Grendene foi para trabalhar em tudo menos calçado, era para restabelecer o parque industrial que estava parado. Me forneceram acesso a livros importados, viagens e a informações, em uma época que não havia internet."
“Achei que ia ser preso, porque eu estava fazendo o que gostava e ainda ganhava para aquilo. Até hoje estou esperando ser preso, por que amo o que faço."
“O principal foi o acesso a informação e vivência das coisas, isso me deu esse padrão de inquietude, o gosto pela novidade. Respeitar o que você conquistou, mas olhar para frente e pensar o que você quer fazer agora, do novo. Procurar algo novo sempre, não importa de onde venha, e quanto mais fora do seu networking melhor ainda. Buscar novos campos do conhecimentos para ter novos insights. É muito rico o contato com pessoas de outras áreas do conhecimento, sair dos assuntos de sua zona de conforto porque geralmente os assuntos são variações do mesmo tema. Você precisa buscar o desconforto para ligar conhecimentos na busca pela inovação. Só em meios desconfortáveis você encontra a inovação.”
“As viagens também são formas de transição e de sair de nossa zona de conforto, conhecendo o novo. Novos lugares que surpreendem e trazem novas experiências. Traz a riqueza de te deixar desconfortável.”
Sobre a importância de se pensar com as pessoas e nas pessoas.
“Tudo o que fazemos tem pessoas no meio, e muitos acabam esquecendo disso. O calçado não é nada se ele não ‘anda’, se não tem as pessoas se expressando através dele com sua maneira de sentar, cruzar a perna e se portar. O calçado usado é a coisa mais bela que existe, é onde deixamos a nossa ‘digital’, como andamos e por onde passamos.”
"Devemos sempre lembrar das pessoas. Antes eu escrevia ‘people first’ agora penso em ‘people engaged first’, porque o engajamento é super importante.”
“Para fazermos algo para alguém, você precisa fazer para você mesmo primeiro. Estudar e entender a si próprio:‘Eu-novação’. Sair da superfície do conhecimento dos outros e buscar o conhecimento profundo de si mesmo.”
“Hoje vejo a necessidade do ‘design to serve’ pois design que não serve, não serve. Isso é muito mais de ‘feel’ do que de ‘think’, o design para servir. O tema ainda é novo para mim, mas esta ai a inquietude.”
Sobre seus projetos
Trabalhando a muitos anos para a mesma indústria vários projetos passaram por Edson Matsuo, mas para ele o próximo é sempre o maior e melhor desafio. Sua entrada na Grendene se deu por causa do projeto do chinelo Rider, que alavancou a empresa e resgatou a Melissa, além de todo o negócio. Hoje é uma empresa de 26 mil funcionários, de capital aberto. Há 14 anos a maior exportadora de calçados do Brasil.
O maior orgulho de Matsuo é a equipe da qual ele faz parte, que conta com 200 pessoas trabalhando juntas. Mas “o próximo projeto tem que ser o melhor pois temos sempre que buscar novos patamares para alcançar, não para os outros, mas para nós mesmos.”
Matsuo não gosta do termo direção criativa, porque acredita que a direção é construída com as pessoas através da química, da empatia e da conexão que você tem com as pessoas. Ele se auto intitula um dos “ativistas criativos” da equipe.
Um líder criativo que desenvolve sua equipe/pessoas/conexão na intenção de que cada um se inspire no que eles próprios vivenciaram, uma inspiração que parte de dentro de cada um, não é imposta. Ele não quer mudar as pessoas, não quer criar necessidades, mas dar o gatilho para algo que as pessoas já tem:
“O grande desafio é trazer a tona o que as pessoas tem de melhor. Para isto você precisa conhecer o outro. Saber o que brilha os olhos. Inspirar é isso! Esta é a mágica que envolve a inspiração."
“Inspiração não é querer pelo outro, não é impor seus ideais ao outro. Devemos inspirar as pessoas, os colegas, não apenas pelos produtos. A mágica está no trabalho em equipe. Infelizmente tivemos uma escola, tanto na arquitetura quanto no design, mais voltada ao trabalho egocêntrico e trabalho autoral do que para o trabalho em equipe, colaborativo. Defendo Design para o estudo fundamental. Para as crianças aprenderem a solucionar problemas. Pensar e executar projetos através do empreendedorismo.”
A postura de Edson Matsuo como responsável pela área de design de uma indústria é de que o máximo de pessoas tenham contato com o produto, para que o mesmo viabilize o negócio da empresa. Um design acessível é o principal para ele, e um bom indicativo é a quantidade de pessoas que usam o produto, não importa se as pessoas sabem ou não quem fez o produto: “Fazer as pessoas sorrirem! Não só a pessoa que usa, mas também a que vende. Toda a cadeia de valor deve estar contente com o produto, inclusive a comunidade que a gente envolve, a comunidade da própria fábrica. É mais sistêmico do que simplesmente um produto.”
Ver um produto que foi feito aqui no Brasil sendo usado na China (220 milhões de pares por ano são feitos na Grendene) é para ele um grande marcador de sucesso.
Sobre o projeto Melissa One by One
Para quem não conhece, Edson Matsuo e sua equipe são responsáveis pela criação de uma nova experiência no jeito de comprar, vestir e usar calçados. Na verdade um novo jeito de pensar calçados. Esta é uma boa descrição do projeto Melissa One by One, que significa “um por um”.
“O projeto da Melissa One by One existe a 6 anos, mas agora foi identificada uma oportunidade de lançamento. Já estava criado e testado. Sabia-se que dava certo, mas tudo tem seu momento. Este é um bom exemplo de que não podemos desistir dos projetos, mas também não podemos forçar. É preciso perceber os sinais do mercado, inclusive a aderência de toda a empresa e do momento certo de lançar um produto. Pois este produto muda toda a forma de pensar o uso de um calçado, incluindo a forma de produzir e vender, pois é vendido apenas um pé e não o par de sapatilhas."
A inovação do projeto está no pensamento modular e interativo, que permite calçar e andar de maneira confortável, tanto com o pé direito, quanto com o esquerdo usando o mesmo modelo. Além de um novo jeito de combinar e comprar. Sendo feita de MELFLEX, formulação exclusiva de polímero (PVC) que garante a eficiência das geometrias do projeto de design, flexibilidade, conforto, reciclabilidade e ainda leva a marca sensorial do “Aroma Melissa” como os outros modelos, mas este projeto traz um novo modelo de pensamento como sua inovação, circular, modular, personalizado e acessível onde cada consumidor constrói a sua própria e única coleção.
A forma de comprar e vender também é nova, pois é vendido um pé da sapatilha, e não em pares, e é exatamente o que permite a personalização e modularidade do projeto que conta com nove modelos, vendidos separadamente. O resultado são 81 possibilidades de combinações diferentes para compor um par de Melissa.
Um projeto “fora da caixa” verdadeiramente, pois quebra padrões de percepção e comportamento de um segmento inteiro de produtos. A modularidade do pé com desenho único para pé esquerdo e direito vai muito além da questão estética, mas também está nela quando se tem lados com estampas e cores diferentes na mesma sapatilha, pois quando se usa no outro pé, a pessoa tem uma percepção completamente diferente do mesmo objeto.
“Algumas referências de calçados com desenho único para ambos os pés são os sapatos chineses de dedo, por exemplo, que também tem um principio minimalista, além das alpargatas ou espadrilhas gaúchas, mas fazer uma sapatilha minimalista é mais difícil” compartilha Matsuo. “Como todo produto novo a própria empresa e equipe ainda está aprendendo com ele . A inspiração é um trabalho conjunto”
“No meu ponto de vista, nenhum produto nasce inovador, quem o torna inovador são as pessoas. O produto é apenas um candidato a inovação, o que mede a inovação é a quantidade de pessoas que aderem e adoram o produto, que divulgam por conta própria e recomendam para outros. A inovação é reconhecida no mercado e não dentro da indústria. Acontece na recepção deste produto pelo mercado consumidor. Na emissão é ego, na recepção é inovação.”
A inovação, aqui, está na quebra do padrão existente e na mudança do modelo de pensamento: da fabricação à venda, uso (trocar de lado, lados com cores diferentes) e acessibilidade, pois pode-se comprar um pé de cada tamanho por exemplo, ou comprar apenas um pé, respeitando as individualidades de cada pessoa.
O design inovador do Melissa One by One foi homenageado no prêmio Brasil Design Award 2014, pelo investimento em inovação e design no ramo calçadista, além do Prêmio BID - Bienal Iberoamericana de Design 2014 na categoria Moda e ainda trouxe à marca gaúcha de calçados a premiação, na categoria produto, do iF Design Award 2015. Matsuo e sua equipe da Grendene também receberam prêmios de Arquitetura nos projetos da Casa Ipanema e Galeria Melissa Nova York.
“O grande prêmio é vender muitos pares e ajudar uma empresa como a Grendene a sempre se desenvolver.” Edson Matsuo
Sobre referências criativas que admira
Matsuo nos traz nomes que pesquisam e falam sobre inovação em negócios para termos novos pontos de vista:
“Uma pessoa que eu gosto muito é o John Maeda que pesquisou no MIT muito tempo sobre simplicidade”
“Gosto também do Simon Sinek, que está ligado a inspiração voltada as pessoas mas, ao invés de seu ‘Golden circle’, defendo o ‘Diamond circle’ que trata o ‘com quem’ antes, e o ‘porquê’ depois. Dependendo do COM QUEM o POR QUÊ tem outro significado.”
O 'diamond circle' de Edson Matsuo é uma releitura do 'golden circle' de Simon Sinek, onde devemos pensar primeiro COM QUEM, afinal dependendo do "com quem" o PORQUÊ tem outro significado.
“Tem também os conceitos da Youngme Moon que é uma coreana que fala sobre o diferente”
Youngme Moon da Harvard Business School mostra neste vídeo abaixo uma introdução de seu livro ‘Diferente, quando a exceção dita a regra’ no qual traz o sentido de diferenciação de negócio.
Inspirações e considerações finais de Edson Matsuo
“Você e eu temos já dentro de nós a semente de tudo que seremos e o que precisamos são os gatilhos , portanto desconfio quando ouço o papo de ‘querer mudar alguém e ser mudado por alguém’. O conceito de mudar alguém é ainda da cultura autoritária do marketing de criar necessidades. TRANFORMAR respeita o que você já é. Transformado de estudante em um eterno aluno. A vida que te forma.”
“Se você conseguir ser transformado de estudante em um eterno aluno já valeu a sua faculdade. Brinco que fui deformado e que estou me formando ainda, do jeito que eu quero, conforme sou e vivencio. Porque a faculdade não consegue personalizar, a vida que te dá isso. Este é o contexto da atuação do designer. “
“Isto tudo tem a ver com o ‘design para servir’ que defendo. ‘Design que não serve, não serve’, servir a próprios, a você mesmo, servir ao colega que está ao lado, servir para quem vai usar. Uma visão mais abrangente não só do design como projeto, mas acerca do que você quer da vida e da sua atuação. Esta amplitude tem muito a ver com sua percepção do quanto você quer ficar no conteúdo ou no continente. Continente é maior do que conteúdo.”
“Inovação vira balela se não começamos conosco primeiro. Quem pretende fazer algo diferente que emocione alguém, primeiro precisa se conhecer. Se você não sabe como você se emociona é mais difícil. O design no mínimo precisa conhecer e entender o ser humano.”
“Se conhecer antes. Valorizar mais o ser. Desconfie de uma grande boa ideia, se ela não inspira as outras pessoas.”
Edson Matsuo palestrando
Vocês vão concordar comigo que a abordagem de Edson Matsuo é extremamente inspiradora e a partir desta, sigo os seus conselhos deixando algumas perguntas em aberto, transformando este papo em algo mais colaborativo porque estamos sempre em transformação e podemos rever tudo isto que foi falado no futuro
A idéia deste bate papo é trazer a inquietude para você que lê. Precisamos de gatilhos para elaborar nossas próprias idéias, espaços em branco para a nossa própria inspiração...
Não tem problema deixar espaços em branco para que vocês tirem suas conclusões. O importante é que compartilhemos o conhecimento e que cada um transforme e o elabore para si. Afinal, nada é completamente previsto e tudo tem vida própria. Precisamos ir trabalhando e aceitando o que tem por vir, completamente inspirados pelas idéias de Edson Matsuo!
É disto que trata este bate papo e este blog, sempre com reticências em meio a escrita para proporcionar os espaços de intervenção e apropriação do pensamento de vocês :)
Espero que vocês também tenham sentido um pouco da energia criativa inspiradora deste excelente bate papo, que continua dentro de cada um de nós, providos pelos “espaços em branco” que nos permitem intervir com nossas próprias interpretações!
O que era preciso para projetar um carro moderno na década de 70 e quem eram as pessoas que faziam isso? Para responder a essas perguntas, a Ford abriu as portas de seus estúdios projeto na década de 1970 e mostrou como os carros eram criados :) Hoje encontrei o video "Design Makers - Inside Ford Design" (ai em cima) que traz os designers automotivos em ação na década de 70 mostrando do conceito à realidade de um carro naquela época.
Para termos a comparação com as formas atuais de criação em design, não apenas o automotivo, vamos a comparação com o video abaixo "BMW Car Design", onde é nítido perceber como os atributos da marca e a experiência do consumidor vem hoje antes do desenho em si e fazem parte do projeto assim como a forma.
Mais interessante ainda é como a espontaneidade do desenho a lápis é mais valorizado nos dias de hoje, onde temos tanta tecnologia disponível. Isso serve para qualquer área do design e da criação. O contato do lápis com o papel é muito importante para o processo criativo. O esboço realmente é a forma mais emocional de uma idéia. É por isso que os designers primeiro trabalham as suas idéias exclusivamente com uma caneta e papel. A preocupação aqui não é de viabilidade. Em vez disso, o desenho é destinado a trazer o modelo a vida, e, em seguida, continua a ser a imagem orientadora durante todo o processo de design.
A idéia básica é transformou o tecido através da aplicação de resina em diversas camadas, que eles chamaram de "jeans sólido". Depois de sêco, este bloco é cortado a laser e lixado artesanalmente, com esmeril e à mão. A intenção é preservar a textura típica do material e a estética em todas as partes da armação. O produto varia de 3 camadas nas partes mais finas dos braços até 10 camadas nas partes mais grossas das molduras.
O legal da proposta é permitir outras idéias similares que venham a aproveitar tecidos reaproveitados, jeans ou não, em novas propostas de uso, não acham?
Esta postagem é para abrir a mente e levantar pensamentos :)
Começamos com uma visão atual e um projeção de um futuro próximo: um "produto" hoje raramente é apenas físico e as expectativas do consumidor para estes produtos são de experiências significativas, maiores do que nunca. O desafio para os designers é trazer empatia e sensibilidade para o seu trabalho, independentemente das ferramentas e tecnologias à sua disposição. O bom designer será o bom "tradutor" das expectativas em uma "entrega" de uma experiência. Ai entram questões mais elaboradas e muito mais importantes além da simples polêmica simplista sobre desenhos de marca e uso de softwares. Devemos abandonar o simples debate técnico e adotar um pensamento holístico.
Segue importante trecho traduzido e adaptado do video acima:
"Vemos muitos ensinamentos sobre 'o que' e 'como' e o 'porque' parece ter ficado de lado, sido negligenciado, mas é a habilidade mais importante. Entender os aspectos contextuais é muito importante não apenas para determinar o que projetar, mas principalmente porque projetar [...] as pessoas consideram o profissional de design um criativo "solucionador de problemas", mas ser designer também é sobre 'colocar as coisas no mundo', em um mundo de pessoas, culturas e relações sociais."
Este mundo de pessoas se tornou um mundo de expectativas que são vendidas e devem ser entregues. Isso significa que o desafio para as organizações grandes e pequenas é a mesma: criar melhores experiências e aprofundar as relações com os consumidores, diminuindo a lacuna entre a expectativa (promessa) e a experiência do consumidor (entrega).
Aqui nesta conversa se encaixam perfeitamente os novos dispositivos 'wearables', roupas e acessórios que incorporam tecnologias de eletrônica e computação avançados. Não podemos ignorar as possibilidades, os usos potenciais mas também a especulação e os caminhos da computação incorporada em objetos de nosso dia-a-dia. Alguns exemplos são as iniciativas do Nike FuelBand e do Google Glass.
Afinal as tecnologias estão se transformando e ao longo dos anos e, em breve, dispositivos poderão ser levados como partes integrantes de nossas roupas e corpos sendo projetados para usarmos quase sem pensar. Acho importante lembrar que em muitos casos estas tecnologias podem não ser apropriadas pelas pessoas como elas foram projetadas. Muitos de nós e, principalmente, as novas gerações não serão passivas em relação a estas tecnologias encontrando novos usos para as mesmas ou até mesmo negando-se a incorpora-las em seu dia-a-dia. Sabemos que apenas uma pesquisa empírica, em cada cultura, poderá nos revelar tais fatos. Um bom exemplo para este debate é como o Google Glass foi recebido pelas pessoas quando estava em teste. A questão se desenrolou pra a aplicação da tecnologia em lentes de contato. Ai temos muito debate acerca de ética nos usos destas novas tecnologias e direito a privacidade. Mas o que vale é pensar e debater!
Como é que a tecnologia "de vestir" (wearable) se encaixa em nossas vidas diárias? É uma tendência passageira, ou o futuro da computação? Será que viraremos seres híbridos? :)
Olha essa proposta interessante, divertida e interativa que pode ajudar de diversas formas na educação, diversão e alimentação de muitas crianças pelo mundo afora :) O projeto OpenToys transforma vegetais e frutas em brinquedos, com peças feitas em impressão 3D que você pode baixar e "imprimir"!
Um projeto divertido que transforma qualquer objeto em "brinquedos abertos", dentro da lógica do open design. Criação da Le FabShop, o projeto aberto de brinquedos nasceu em 2013 durante um workshop para o Domaine de Boisbuchet, dirigido pela designer espanhola Patricia Urquiola.
Samuel N. Bernier (Diretor de Criação da leFabShop) começou a reutilizar restos de cortiça e madeira para fazer brinquedos, graças à impressora 3D que ele tinha trazido no local. Seis pequenos acessórios foram então criados para transformar qualquer objeto em carro, avião ou helicóptero.
Foi, por acaso, durante a colheita do jardim, que veio a idéia de substituir madeira e cortiça (difícil de perfurar sem ferramentas) por frutas e legumes. O projeto foi concluído nove meses depois por Thomas Thibault, um estagiário da equipe de Samuel no estúdio criativo leFabShop em Paris. Thibault é o criador do foguete e do submarino adicionados à coleção.
O projeto Open Toys (Brinquedos em aberto) foi apresentado ao público pela primeira vez em outubro, durante um workshop na Autodesk Pop Up Gallery, em Paris. As crianças presentes no evento ficaram apaixonadamente transformando batatas, berinjelas, cenouras e pepinos em ônibus espaciais, carros de corrida e barcos. Praticamente um Mr. Potato Head da era da fabricação digital em 3D :)
O melhor de tudo é que o pessoal da Le FabShop deixou para download gratuito toda a série Open Toy para as principais plataformas de impressão 3D: YouMagine, Thingiverse, e Cults3D e Instructables. A intenção é de que os membros dessas comunidades contribuam para ampliar a gama de OpenToys através da criação de novas peças.
A Bamboobee, empresa de Cingapura, entrou no mundo do design de produto em 2013 e logo percebeu o sucesso do bambu, como material popular ou melhor democrático. Desta forma resolveram criar um kit "faça-você-mesmo sua bicicleta".
A idéia é simples, o projeto permite que você experimente a satisfação de construir sua própria bicicleta a partir do zero. O conjunto inclui suportes de cabo de bicicletas de bambu, encaixes em aço inoxidável, tubos de cabeça de alumínio, suportes, um rolo de fita adesiva transparente, e fio de metal reforçado além de um manual de instruções e um 'quadro gabarito' reciclável para orientar o processo de montagem do conjunto.
A idéia é boa e o kit está disponível para pré-compra por uma plataforma de financiamento coletivo, mas penso que seria muito mais interessante se o kit estimulasse os "compradores" a adquirir seus materiais localmente enviando apenas o indispensável, viabilizando o custo do transporte e diminuindo a pegada ecológica do produto. Aliás este tipo de projeto merecia ser de Design aberto ou livre!
Jarros de vidro tradicionais e cestas de vime, tradicionalmente associados ao ato de servir vinho e pão, são reinterpretados e juntos tornam-se um só objeto entrelaçado através da colaboração entre os dois designers Alberto Fabbian e Paola Amabile.
O Yerka é um projeto de bicicleta que está sendo desenvolvido por três estudantes chilenos, Andrés Roi, Juan Monsalve e Christopher Cabello da Universidad Adolfo Ibáñez. Não precisa nem dizer que a motivação deles foi pessoal afinal todos já foram vítimas de roubo de bicicleta.
O modelo desenvolvido por eles incorpora uma tranca embutida com as próprias partes da bicicleta e vem a partir da experiência pessoal do designers de que todas as travas/trancas convencionais podem ser quebradas, mas se alguém quebrar esta a própria bicicleta não poderia ser usada, não fazendo sentido levá-la embora…
Esta é um projeto que surgiu da experiência de Ash Newland, ao planejar uma viagem de escalada no Monte Kilimanjaro com um amigo há quatro anos. Pensando sobre como eles iriam lavar suas roupas regularmente e desta forma levando menos peso, Newland pensou na idéia de uma tábua de lavar, mas seria difícil de carregar… Então ele teve a idéia de criar uma tábua de lavar flexível em um material impermeável (detalhe na imagem abaixo), logo veio a idéia de um saco selado, que foi um dos primeiros protótipos do Scrubba.
No final de 2011, o Scrubba foi financiado coletivamente pelo Indiegogo, quando chegaram ao produto final que pesa apenas 180g e dobrado cabe no bolso! Perfeito para os viajantes mochileiros, mas não só para eles… Divirta-se com o video que eles produziram abaixo :)
Para usar o Scrubba basta encher com uma pequena quantidade de água, seu produto de limpeza e suas roupas. Enrolar e fechar a parte superior. Abra uma válvula para expelir o ar do saco de lavagem. Agora é a hora de esfregar pressionando para baixo e pressionando as roupas contra a parte interna texturizada e flexível que faz o papel de tábua de lavar. Bastam 30 segundos para uma lavagem rápida de viagem ou por 3 minutos para uma lavagem de mais qualidade. Para roupas delicadas, pressione e esfregue suavemente. Depois disto enxagüe, abrindo e retirando a água suja do saco de lavagem (lave em água doce, água de torneira ou chuveiro). Depois de enxaguadas você está pronto para secar as roupas enrolando e apertando as roupas em uma toalha que vem com o kit. Pendure as roupas para secar no varal de viagem Scrubba.
É uma forma fácil e eficaz de lavar as roupas a mão quando você viaja, faz camping, trekking, caminhadas, ou em viagens como cruzeiros, viagem de negócios e até mesmo quem sabe em casa :)
Um produto que foi concebido para viagem de mochileiros se adequa perfeitamente em outra oportunidades de uso e qualquer tipo de consumidor abrindo um precedente importante quanto novos e conscientes usos da água, com certeza!
Um blog sobre Design e idéias criativas mais abrangentes, que respeitem suas raízes e as pessoas envolvidas, escrito por Carol Hoffmann. Sejam bem vindos e sintam-se em casa!