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5.2.16

Uma boa estratégia,
uma impressora digital e origami


A marca de chocolates de Israel Strauss Elite resolveu inovar em suas embalagens para se diferenciar da concorrência em sua marca Cow Chocolate. As embalagens da marca estampam o ícone de uma vaca desde seu lançamento, em 1934, mas as novas embalagens trocaram sua cor vermelha tradicional por invólucro com design único. Após dobradas, as embalagens acabam reaproveitadas como esculturas de origami únicas, dando origem ao nome da campanha: Origamoo.

Um belo reforço da marca, com seu símbolo agora fazendo parte da decoração dos seus consumidores que acabam por ter uma iniciativa de coleção com as embalagens, aumentando as vendas durante esta campanha.

As embalagens individuais foram geradas usando a tecnologia Mosaic de design variável. Um artista especializado em origami foi contratado para desenvolver a dobradura da embalagem, que inclui as orientações para dobrar na parte interna.





A idéia da campanha surgiu de algumas observações importantes compartilhadas pela própria marca,
como o crescente interesse pelo Faça Você Mesmo, por exemplo. "Uma rápida pesquisa no Google revela que a tendência e o interesse por Faça-você_mesmo/DIY está crescendo rápido, além de muitas pessoas postando videos tutoriais how-to, percebemos um número ainda maior de internautas expressando grande interesse e envolvimento. Esta tendência é percebida em todas as categorias e faixas etárias, e, na verdade, qualquer público-alvo pode encontrar o que está procurando, entre a grande abundância de tais mensagens."

Para a marca, esta tendência está sendo impulsionada por três plataformas principais:

Youtube: o "berço" da tendência do-it-yourself. YouTubers são os principais canais onde seus públicos alvo encontram vídeos, que recebem centenas de milhões de visualizações.

Pinterest: plataforma líder que apresenta conteúdo altamente popular, principalmente nos temas comida, artesanato e tecnologia. Um guia criado para adolescentes é um exemplo particularmente encantador.

Instagram: nesta rede você pode encontrar tutoriais curtos (até 15 segundos) de vídeo que pode guiá-lo, passo a passo, através de uma ampla variedade de soluções e idéias, de como fazer e decorar pulseiras, almofadas de design e preparar receitas especiais.






A intenção fica nítida com esta abordagem :) A marca pretende se aproximar de seus consumidores, através da interação com os mesmos seja através das redes sociais, seja através da interação com a embalagem e consequentemente criou uma proposta de reaproveitamento evitando que a mesma se tornasse resíduo imediatamente.

Nesta campanha, os consumidores também podem achar instruções de dobra em um site exclusivo da campanha, que encorajava os consumidores a publicarem imagens de seus próprios designs no Facebook e Instagram concorrendo a prêmios. O projeto foi lançado com campanha de mídia incluindo TV, banners e mídia social.









via

27.1.16

Paradoxo da Escolha e
a próxima tendência em Design


Começa o ano e logo surgem aquelas matérias prontas sobre as tendências do ano, algumas sobre design outras sobre cores. Na verdade nunca reconheci estas "tendências" como qualquer tipo de visão de futuro. Todas as tendências divulgadas geralmente são apenas a compilação do que já tem sido mais usado e buscado no últimos tempos. Logo, deveriam se chamar "retrospectiva" ou "constatação" e não "tendência" :)

Esta é uma ocasião perfeita para trazer o texto que li ano passado "The next design trend is one that eliminates all choices" ou "A próxima tendência de design é uma que elimina todas as escolhas" que traz o Paradoxo da Escolha do psicólogo Barry Schwartz que delineou a paralisia e insatisfação que sentimos quando nos são apresentadas muitas opções. O texto também traz a opinião do CEO da HUGE, Aaron Shapiro que, segundo sua experiência, não só há um número limitado de opções como não há nenhuma escolha. Para Shapiro a "escolha é supervalorizada e o próximo grande avanço em design e tecnologia será a criação de produtos, serviços e experiências que eliminam as escolhas desnecessárias de nossas vidas e as fazem em nosso nome, libertando-nos: este seria o design antecipatório."

Apesar do nome, a idéia não deve ser confundida com a ciência de design de antecipação (Comprehensive Anticipatory Design Science) de Buckminster Fuller e trata de eliminar as opções das entregas do projeto e apresenta uma opção singular: "conveniência, não escolha", "eficiência, não liberdade" são os mantras desta concepção antecipatória.

Segundo descrito no texto, idealmente, o design antecipatório poderia prevenir aquele sentimento paralisante que temos quando se apresentam muitas opções, como se vestir de manhã, sem que você precise usar um uniforme sem graça: pode selecionar automaticamente uma roupa para você com base em suas atividades do dia, extraídas de seu calendário e as condições meteorológicas. Pode até certificar-se de que sua roupa é elegante :)

Shapiro prevê uma experiência de usuário altamente adaptada com base em padrões individuais: "O design é mercado de massa, mas usando o design de antecipação, os dados podem criar experiências individuais, uma experiência de usuário para cada um", diz ele, descrevendo uma convergência de projeto e dados científicos. "Há oportunidade de se conectar todos os sistemas diferentes e usar os dados para simplificar a vida das pessoas. Eu acho que isso será muito transformador."

Mas sempre temos as questões éticas para pensar: podemos confiar em um sistema com nossos dados pessoais? Como fica a questão da privacidade? Será que as empresas (ou governos) explorariam os dados para encaminhar suas agendas? Será que a criação de um sistema totalmente automatizado não geraria em nós uma vontade em quebrar, justamente, estes padrões/rotinas?



Este assunto dá um bom debate sobre liberdades individuais mas não entremos neste papo sem antes assistir a palestra sobre o "Paradoxo da Escolha" do psicólogo Barry Schwartz que mira em um dos dogmas centrais da sociedade ocidental: a liberdade de escolha. Schwartz estima que a escolha nos tornou menos livres e mais paralisados, mais insatisfeitos em vez de mais felizes:
"...ter muitas opções de escolha produz paralisia e não sensação de liberdade. E mesmo se vencermos a etapa da paralisia e conseguirmos realizar a escolha, nós ficaremos menos satisfeitos com esta opção do que se tivéssemos tido menos opções para escolher..."

Independente do que achamos disto tudo, todos estes pensamentos já estão sendo debatidos quando falamos em Internet das Coisas, ou o Futuro do Design e Design de Serviços.

Concordando ou não, voltemos às pesquisas de tendências. Quando são divulgadas estas tendências muitos criativos se valem destas informações para basear suas criações. Ora, o que esses infográficos fazem é exatamente diminuir suas escolhas e mostrar o que já tem sido feito, não acham?  Neste caso muitos criativos que se inspiram nestas tendências entram no efeito manada. Acho pouco criativo se espelhar nestas tendências, mas ao mesmo tempo acho importante minimizarmos nossas escolhas, em alguns casos, e evitar a paralisia.

Equilíbrio e, principalmente, saber a hora de minimizar nossas escolhas é o segredo do sucesso :) tanto para os momentos de criação ( como eu já trouxe aqui) quanto para diminuirmos nossas expectativas e sermos mais felizes com nossas escolhas diárias. Para pensar e repensar!


25.11.15

Do que o Design é capaz?

Eu sempre puxo o papo aqui sobre o que podemos fazer enquanto designers, não é? Pois então acho que vale a pena vocês ficarem atentos a dois eventos que acontecem anualmente e tem como foco projetos e profissionais que procuram fazer a diferença:


No Rio de Janeiro temos o Entremeios, que acontece anualmente sempre com convidados internacionais, mesas redondas e workshops. Promovido pelo Laboratório de Design e Antropologia da ESDI/UERJ encerrou o seu segundo ano agora em novembro de 2015. Fiquem atentos a página do evento para a próxima edição.





Em São Paulo teremos este ano a edição do internacional What Design Can Do!  Criado em 2011, para reunir os designers de todas as disciplinas para apresentar e debater o poder e o papel do design como uma ferramenta para a inovação social.








O What Design Can Do! vai acontecer nos dias 07 e 08 de dezembro na FAAP e quer mostrar ao público do que o design é capaz e, principalmente, que o design não se limita a tornar as coisas mais bonitas, mas trata de resolver problemas e melhorar o bem estar humano.

Entre os palestrantes estarão profissionais que sempre falo por aqui no blog :) como Stefan Sagmeister (aqui, aqui, aquiaqui e aqui tb),  o carioca Fabio Lopez (aqui, aqui, aqui, e principalmente aqui) e Bebel Abreu, além, claro, de Alex Atala, irmãos Campana e Marcelo Rosenbaum e diversos outros nomes nacionais e internacionais em um total de 20 palestrantes.





A idéia é juntar designers, arquitetos, jornalistas, estilistas e chefs de cozinha para trocar experiências criativas e discutir sobre visões do design em temas relevantes relacionados com as questões urbanas, consciência cultural e natureza através de debates e sessões especiais com mesas redondas e workshops.

Vocês podem conferir a programação clicando aqui, além de conhecer a proposta das sessões especiais,  que me pareceram bem interessantes.





A edição brasileira tem ingressos disponíveis no site do evento mas você pode tentar a sorte no sorteio de um ingresso para quem comentar e compartilhar (de forma pública) a postagem no facebook do ameDesign clicando aqui :)
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POSTAGEM ATUALIZADA: A sortuda que ganhou o ingresso do evento What Design Can Do Brasil foi Teresa Cristina Fraga Moreira. Parabéns e aproveite muito!
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Entre no site, saiba mais e inscreva-se!

What Design Can Do! São Paulo
www.whatdesigncando.com.br

Dias 7 e 8 de Dezembro
Teatro da FAAP




Se você sabe de outros eventos interessantes, dentro desta temática de inovação social, avisa a gente nos comentários, ok? Queremos saber :)

20.11.15

Repensando arquétipos



A mais nova criação do designer Rodrigo Calixto é Tijolo Fundamental que ele também chamou de Tejuelo. Esta entra na série repensando arquétipos pois busca retratar o importante papel da madeira na arquitetura colonial brasileira,  que depois foi suprimida pelo tijolo enquanto elemento de modernização das construções.

O Tijolo é o arquétipo da Arquitetura:  representa o elemento que dá forma, demarca e estabelece as fronteiras nos espaços planejados. Para Rodrigo Calixto representar um tijolo produzindo-o em madeira, ao invés do barro, é a oportunidade de retratar e colocar em discussão os pares que foram criados ao longo da nossa história.

Há ainda um outro aspecto provocativo na obra: a madeira que antes era parte fundamental nas construções passou a ser descartada, tomou outros caminhos, e retorna agora nesta forma de um tijolo emprestando a sua plasticidade na forma de um objeto cuja a função não é montar, construir, mas sim refletir.
















As peças terão tiragem de 40 unidades de cada tipo de madeira de demolição: peroba rosa, peroba de campos e pinho de riga. Para saber mais entre em contato diretamente com o designer pela Oficina Ethos



Cabe aqui trazermos a campanha para o designer Rodrigo Calixto que tem leucemia mieloide aguda e está em busca de um doador de medula óssea compatível. O que podemos fazer para ajuda–lo, e ajudar a tantos outros na mesma situação, é nos cadastrar no Hemocentro mais próximo no Registro Nacional de Doadores de Medula óssea (REDOME). Mais informações no site da campanha dele clicando aqui e facebook da campanha clicando aqui. Vamos nos cadastrar!

Para ver outros belos trabalhos do designer acesse o seu site Oficina Ethos.

15.11.15

As guitarras de José Cechin





O artesão curitibano José Cechin começou em 2013 a construir guitarras feitas com caixas de charuto. Foi apresentado às cigar box guitar ou guitarra de caixa de charutos por um amigo e começou a construi-las em sua pequena oficina em Colombo, no Paraná.

As guitarras de caixa de charutos nasceram da necessidade, em uma época em que instrumentos feitos por construtores tradicionais era inacessível. Os primeiros registros remontam à Guerra Civil Americana (1861-1865), mesma época em que as caixas de charuto se tornaram comuns, conforme cita a matéria da Gazeta do Povo que merece ser citada aqui ;)










Exemplos como este renovam nossas idéias e nos impulsionam em busca de novas e boas soluções. No video abaixo o próprio artesão fala sobre sua experiência e toca o instrumento. Uma delícia de ouvir, aliás.













Esta iniciativa deste "maker" entra para o nosso repertório, para nos ajudar a pensarmos juntos!

Uma super dica compartilhada por Luiz Pellanda. Aliás esta matéria me lembrou esta orquestra toda construida por resíduos.

11.11.15

Embalagem para surpreender



Nada como um formato diferente do esperado para gerar memória... muitas vezes um bom projeto de embalagem pode estar em um novo formato ou nova apresentação do produto. Pensem nisso!

Esta aqui, na verdade, me parece parte de uma campanha pelo texto da embalagem. Do Things Organized Neatly. Já que o tema é design oriental, trago outra abaixo dobrada a mão em papel de arroz daqui.



2.11.15

Empatia
por May Tanferri



Estávamos falando em ativismo no design na postagem anterior, não foi? Pois aqui temos um ativismo lindo, um projeto que saiu do coração e de uma experiência pessoal, o que o torna mais potente ainda. Estas foram as minhas impressões sobre o projeto Empatia de Mayla Tanferri.





O projeto final de graduação da designer May Tanferri é um projeto conceitual com um enfoque muito pessoal de uma grande partilha de sua experiência com o mundo. Um projeto que, provavelmente, foi libertador e vai ajudar muitas outras pessoas com experiências parecidas. Uma forma de reinterpretar sua experiência pessoal com suas cicatrizes de queimaduras e externar um pouco dos seus sentimentos com todos, mas principalmente mostrando a quem está passando pela mesma experiência, que não está sozinho. Uma coisa é certa: ela já tocou muitos com seu projeto!

Empatia é um projeto que questiona o modo como olhamos as cicatrizes, à partir da experiência da designer com um acidente de queimadura. O objetivo de Mayla é mostrar que independente da forma de lesão; uma queimadura, uma cirurgia ou um tratamento, uma cicatriz indica que o corpo se curou, e é uma evidência única de uma experiência de sobrevivência.






O projeto Mayla consiste em duas iniciativas; um curto documentário em parceria com os fotógrafos Deborah Maxx e Gustavo Arrais (acima) que registra o maior exercício da autora, o da exposição -inspirado pela série Scarred for Life de Ted Meyer -, e um kit desenvolvido para crianças e pré adolescentes (no video abaixo) que experienciaram alguma doença, tratamento ou lesão que resultou em uma cicatriz. O objetivo é auxiliar quem carrega cicatrizes pelo corpo, como a designer, e mostrar que uma cicatriz é muito mais do que uma marca: cicatrizes contam uma história.





O kit contém uma bonequinha em formato toy art chamada Mia, que usa malhas compressivas e têm as mesmas cicatrizes de Mayla. Além disso, o box conta com muitas informações, como a importância do uso dessa malha, dicas de alimentação e cuidados para ajudar na recuperação do tecido lesado. A expectativa de Mayla agora é conseguir uma parceria para doar esses kits a quem precisa e, assim, auxilar os pequenos na retomada da confiança e na alegria de viver.













Dá para pensar em muitas coisas admirando este projeto, mas principalmente como o bom design não é apenas gráfico, digital ou de produto. Podemos pensar também no potencial dos projetos conceituais e pessoais, projetos como histórias contadas pelo coração e vinda de uma experiência cheios de potência criativa, de onde podem surgir grandes inovações.

Este projeto foi selecionado para a 11a Bienal Brasileira de Design Gráfico (2015) como Projeto Acadêmico, e ainda ganhou o prêmio de Destaque. Super merecido! Admirem o projeto escrito e criado por May Tanferri também no documento que a designer compartilhou e vocês podem conferir clicando abaixo: