Site Meter Ame Design - amenidades do Design . blog: outubro 2015

29.10.15

Design ativismo de Fabio Lopez:
por um design com pensamento crítico


Começamos lembrando que todo design, toda escrita e qualquer fala tem uma mensagem a ser transmitida, resta-nos escolher qual será esta mensagem.

Apesar de definições, muitas vezes, não conseguirem explicar as coisas recorro a uma delas :) Começo esta breve conversa sobre ativismo no design trazendo uma definição de designer ativista, que seria:  “uma pessoa que usa o poder do design como um bem maior para a humanidade e para a natureza. É um agente livre, um catalisador social; um facilitador e criador. Alguém que faz as coisas acontecerem". Esta definição é de autoria do designer ativista e escritor Alastair Fuad-Luke, autor do livro “Design Activism – Beautiful Strangeness for a Sustainable World”, de 2009, e de diversas outras produções mais recentes. Foi quem também cunhou o termo Slow Design.  Segundo ele, esse ativismo tem um duplo objetivo: trazer impactos positivos para a vida e o trabalho, e desafiar e revigorar a prática do design.

Podemos também trazer que o designer ativista está ancorado no design autoral e, geralmente, pretende transmitir uma mensagem que considera importante, que têm como fundamento manifestações políticas, ambientais ou sociais.

Tá. Ok. Entendi. Mas como eu faço isso? Bom, nós, designers, podemos contribuir diariamente em nossa atuação profissional. Para entendermos melhor convido-os a conhecer Fabio Lopez, carioca, designer e mestre pela ESDI/UERJ, e professor da PUC-Rio. Em 2015 publicou o projeto mini Rio, uma homenagem e um extenso exercício de representação visual que resultou na criação de mais de 200 pictogramas e padronagens sobre a cidade do Rio de Janeiro. É autor dos projetos War in Rio, Bando Imobiliário Carioca e Batalha na Vala, tríade de paródias que aborda o tema da violência urbana na cidade do Rio de Janeiro. Trabalhou na criação da marca dos Jogos Olímpicos 'Rio 2016' (é ele no video abaixo a partir do minuto 3:06) e desenvolveu a identidade visual do Centro Carioca de Design, além de diversos outros projetos, também pesquisa design filatélico e desenvolve selos postais para os Correios do Brasil.








Sobre a trajetória de Fabio Lopez

"Depois de 15 anos de carreira, ao renovar meu cartão de visitas, escrevi embaixo do meu nome algo que me orgulho muito de ostentar: designer independente. Isso quer dizer que consegui algum tipo de autonomia profissional - bem como confiança e maturidade - para determinar o que quero fazer e onde quero investir meus esforços criativos. Seguramente não era o tipo de coisa que eu almejava como definição quando era estudante ou recém formado. Talvez eu quisesse ter minha própria agência de design, com clientes grandes, cadeiras caras, reuniões intermináveis... Hoje em dia tudo que eu quero é sentir cada vez mais o vento na cara e poder escolher os projetos que desejo realizar - e isso me custou muito empenho para escrever outra coisa no meu cartão pessoal (o que não exclui reuniões, clientes e cadeiras - não tão caras, rs)."




Fabio Lopez acredita que o design gráfico é um poderoso instrumento de produção cultural e discussão política

"Quando assisti o primeiro 'Tropa de Elite' numa segunda feira chuvosa e feia, fui sozinho, pra pensar... O filme já era aquele sucesso: todos repetindo as frases do Capitão Nascimento e idolatrando o Bope como justiceiros da cidade, sem aprofundar o que aquilo significava de fato. Sempre me interessei muito pelas questões de segurança pública da cidade, em função do tamanho do problema e da maneira como ele afeta a todos nós, cariocas ou não. Então tudo isso (o filme e a repercussão) me perturbava um bocado, sobretudo pela maneira excessivamente descontraída como as pessoas estavam se relacionando com um tema pesado, triste e que impactava muitas pessoas de um jeito muito duro para virar piada."

"Saí do cinema num clima pesadão (apesar de ter curtido o que vi, é uma produção muito boa), olhei em volta e pensei 'estou no set de filmagem, que merda'. O filme desceu de lado, e eu resolvi realizar um projeto que há muito adormecia na gaveta. Foi o incentivo, o empurrão e o contexto de criação, ou seja, o caldo onde esse coacervado resolveu vertebrar-se ao contato dessa faísca proporcionada pelo filme do Padilha."

Assim surgiu o jogo manifesto WAR IN RIO de Fabio Lopez.







War in Rio - primeiro jogo manifesto de Fabio Lopez


"O 'Tropa 2' tem um discurso bem mais maduro (assim como o Bando Imobiliário), e conta uma história ainda mais profunda. A sequência me veio instantaneamente, como opção à prostração, tristeza e a desesperança que o filme consolida."










Bando Imobiliário Carioca - jogo manifesto de Fabio Lopez


"Costumo dizer que nem sempre a força motriz de um bom projeto provém de uma energia estritamente 'positiva'. Muito pelo contrário, as vezes raiva, angústia e indignação são elementos mais poderosos para te colocar em ação que esperança ou vontade de fazer o bem. Não só a violência urbana, mas a injustiça social desse país é /ou deveria ser um agente catalisador de grandes projetos pessoais, autorais e independentes. Nem todo mundo tem vocação para ação, mas não é pouca coisa parar o que se está fazendo, ou redirecionar seu discurso para causas realmente importantes - no lugar de simplesmente alimentar a máquina de consumo. São 5 minutos que você rouba das pessoas para desperta-las desse constante estado de anestesia. O resto do tempo é preenchido com entretenimento - algo que tanto aqueles filmes como meus projetos não deveriam ser."
Batalha na Vala - mais um da série de manifestos sobre a violência urbana




Sobre ser um designer ativista 

"Tomando ao pé da letra o termo, geralmente meu ativismo fica por conta de minha atividade acadêmica. É uma geração muito carente de mentores, por que a maioria dos profissionais reconhecidos no mercado está associado à maquinação do consumo e não ao pensamento crítico (como há alguns anos atrás já não foi assim). Nessa batalha silenciosa da academia, estou investindo minhas energias há alguns bons anos."

"Todo designer que está envolvido com educação é ativista por natureza - derive seu envolvimento de uma convicção ou necessidade. Passo boa parte do meu tempo trabalhando em prol da capacitação profissional de novos designers - tenho feito isso nos últimos anos - e essa é uma ação concreta de transformação. Mas não vejo muito sentido em buscar algum tipo de classificação pra determinar se esta ou aquela ação se enquadra na definição clássica de 'ativismo' (no sentido mais físico ou concreto da palavra). Todo projeto é uma afirmação capaz de impactar em algum nível a sociedade: a grande questão é saber de que maneira queremos fazê-lo, qual a mensagem, ou quem e o quê estamos querendo transformar."



Sobre o papel dos designers na realidade social e política de nossas cidades, país e mundo

"Designers sabem manusear como poucos profissionais ferramentas de comunicação muito poderosas: vivemos num mundo intermediado por imagens, e somos produtores altamente capacitados de forma e conteúdo. Podemos usar nossa expertise profissional para convencer as pessoas a amarem uma marca ou ampliar as vendas de um salgadinho - ou para evidenciar, destacar e denunciar algo importante e de interesse coletivo. Infelizmente, a grande maioria dos designers não pode simplesmente escolher um caminho pelo qual deseja seguir: o dinheiro circula através das redes de financiamento do consumo e romper com essa estrutura nem sempre é uma opção simples, ou uma escolha propriamente dita. Gostaria muito que todos saltassem desse bonde desenfreado do consumo, mas isso é uma utopia à qual não me permito acreditar. Quem sabe criamos linhas paralelas de atuação, até criarmos modelos de financiamento capazes de competir em pé de igualdade com a indústria do consumo. Aos pouquinhos, cuidando com mais carinho das novas gerações, proporcionando espaços de reflexão, experimentando alternativas de empreendedorismo e remuneração independente, talvez equilibremos essa balança. O que não podemos aceitar é a ditadura do consumo como modelo único de atuação: essa é uma compactação atrofiada de nossa capacidade profissional, inadmissível. Podemos muito mais que isso!"


Fabio também criou o manifesto "12 passos para um Design não solicitado"  no qual o texto sugere em 12 etapas a criação de um design propositivo e não solicitado para fazer a diferença. Neste, Fabio Lopez pensou no designer empreendedor e no designer ativista porque "o designer ativista é um empreendedor de causas e discursos. Então é uma separação muito sutil, geralmente associada à remuneração ou exploração comercial de suas ideias. Mas até isso pode ser relativizado."



"O 'manifesto' é uma adaptação de um texto muito interessante do arquiteto australiano Rory Hyde, que propõe em seu campo de trabalho e pesquisa uma atuação pautada pelo empreendedorismo pessoal através de iniciativas 'não solicitadas' de projeto. Ou seja, você encontra o problema e/ou oportunidade no seu entorno e propõe uma solução ou ação projetual, sem necessariamente a existência de um cliente ou de uma demanda formal de trabalho. Estou trabalhando para consolidar o projeto mini Rio como uma oportunidade comercial independente e propositiva, por exemplo. Não sei se a ideia original de Mr. Hyde estabelecia algum tipo de distinção entre 'ativismo' e 'ação empreendedora', mas eu não faço isso nessa versão adaptada. Não sei se por 'ativismo' as pessoas entendem uma ação dissociada de remuneração ou retorno financeiro, mas isto não está lavrado em nenhuma parede de mármore ou nos 10 mandamentos do bom designer, rs. O designer-empreendedor é ativista por natureza, assim como o professor, assim como o cara que trabalha pelo salgadinho safado (um mau ativista), e também aquele que propõe algum tipo de reflexão sobre sua prática profissional..."

"Design é ativismo, e nesse sentido é muito importante refletirmos sobre as causas pelas quais nos colocamos em ação." Fabio Lopez



A intenção aqui é provocar o pensamento crítico de nossa atuação enquanto profissionais. No meu ponto de vista o profissional de Design tem acesso a conhecimentos importantes, e cabe a nós aplica-los da melhor forma possível.

Nossa atuação profissional é a forma como colocamos em prática todos os valores no qual acreditamos como ideais para a nossa vida e da nossa sociedade. Porque não sermos mais críticos e mais conscientes de nosso papel dentro do social?

Toda idéia tem uma intenção :) É disto que trato neste blog, buscar novos pontos de vista do mundo, das coisas, a partir das pessoas, novas abordagens sobre os antigos problemas e que estas sejam principalmente mais conscientes. Precisamos assumir a nossa responsabilidade quanto ao papel de cada um em relação ao seu projeto. Seja qual ele for! Afinal quem aqui já parou para pensar que ao mesmo tempo que criamos peças lindas de design também criamos resíduo? A responsabilidade ai é nossa, vamos assumir este papel!

Face a Book - ilustração de Fabio Lopez


Nada melhor para finalizar esta postagem com chave de ouro do que trazer uma frase de Fabio Lopez direto do site de um de seus jogos:

Faça das horas vagas um tempo nobre, dedicado ao exercício de questões pessoais e boas idéias. Sua profissão pode ter um papel fundamental na criação de uma comunidade mais engajada e consciente.

Torne visível o que te incomoda:
o design é a sua voz!

Curtiu as idéias de Fabio Lopez? Ele estará na DOCA no Rio de Janeiro, hoje, dia 29 de outubro de 2015, para falar do seu mais recente projeto Mini Rio, clique aqui para saber mais.

Você pode ver grande parte dos projetos de Fabio Lopez lá no seu Flickr e no seu Issuu e acompanhar as novidades do projeto Mini Rio pelo facebook do projeto

28.10.15

Quer conhecer uma empresa de Design?




Me conta uma coisa, você já teve curiosidade para saber como aquela empresa de Design que você admira trabalha? Como é estar naquele escritório? Pois saibam que tem uma plataforma que viabiliza isso para quem estiver interessado :)

Hoje apresento a vocês um dos nossos parceiros: o Visitei, que se trata de uma plataforma que organiza, incentiva e facilita visitas a empresas de design e tecnologia, de forma gratuita.

Os visitantes, em sua maioria estudantes de design, desta forma têm a oportunidade de conhecer por dentro alguns dos principais escritórios do país, ouvir histórias dos bastidores de projetos, e trocar idéia com quem já trabalha por lá! O evento dá a chance para muitos levarem seu currículo, fazerem network e ampliarem sua visão sobre o mercado de trabalho.




Levando em conta essa baita experiência proporcionada pelas visitas, o Visitei está organizando dos dias 16 a 20 de novembro de 2015 a Semana Visitei #1, com mais de 20 visitas em 6 estados brasileiros. A Semana ainda contará com sorteio de 5 livros da Editora Blucher.




Estão confirmadas: FIB, Oni, UNO+BRAND, Casa Rex, Questto|Nó, Bradda, Sebastiany, Balaclava, Estúdio Marujo, Mandacaru, Firmorama, NewGreco, Méliuz, ood, Pianofuzz, Colletivo, IdeaFixa, Flama, Matriz, Oz Design e o Trampos.co.




As inscrições para as visitas estarão abertas na última semana de outubro, são gratuitas e por ordem de chegada. Para inscrever-se basta se cadastrar (também gratuitamente) no site http://visitei.la. Lembrando que quem não estiver inscrito na visita dentro da plataforma Visitei não poderá participar, visando o controle de acesso das empresas.



Acompanhem o Visitei também pelo facebook, twitter e instagram

26.10.15

O Design e a Crise


"Se olharmos para o passado poderemos encontrar vários exemplos onde o design floresceu em períodos de recessão contribuindo para o sucesso das empresas que usaram a sua capacidade criativa [...]

Como designers teremos o desafio de realizar nosso trabalho considerando cada vez mais as reais necessidades das pessoas e da sociedade. Teremos que criar e promover uma experiência legítima e uma relação afetiva dos objetos, serviços e marcas com o nosso público. Será nosso papel incentivar a produção local, industrial e artesanal, minimizando a importação de manufaturados e insumos.

Continuará a ser nossa obrigação ética projetar produtos mais inteligentes e duráveis, fáceis de serem reparados pelo próprio consumidor, eficientes, econômicos e com baixo impacto sobre o meio ambiente."

Resolvi replicar aqui (acima) este trecho do texto de Angela Carvalho sobre Design em tempos de crise,  no qual ela cita o texto de Michael Cannell "Design loves a Depression" de 2009 que eu também achei bem pertinente para o nosso momento brasileiro. O debate é muito interessante para pensarmos que, principalmente em um momento de crise, o design tem muitos caminhos a trilhar como citou Angela.

Em 2012, Gui Bonsiepe também falou sobre Design e Crise (texto clicando aqui): “O design tem a função imprescindível de integrar ciências e tecnologias na vida cotidiana de uma sociedade, concentrando-se na zona intermediária entre produto e usuário, chamada de ‘interfaces’. Dessa maneira, o Design pode contribuir para fazer mais habitável o mundo dos artefatos materiais e simbólicos. [...] A crise oferece a oportunidade – e impõe a obrigação – de revisar os valores de referência aceitos até o momento” afirmou.





Novas oportunidades surgem também quando os designers mudam seu foco de atenção dos bens de consumo para necessidades mais urgentes como infraestrutura, habitação, planejamento urbano, mobilidade, energia, saúde, entre outros. Afinal, nós designers somos os profissionais adequados e preparados para trazer novas maneiras de olhar para problemas complexos. Já pararam para pensar quanta demanda existe? Quantas oportunidades de melhorias?

Neste ponto tem gente pensando 'mas como um designer faz isso?' e eu respondo 'utilizando o que você aprendeu sobre design thinking e design de serviços, por exemplo'. Chegou a hora de arregaçar as mangas e colocar em prática aquele cursinho que você fez, chegou o momento de mostrar para os clientes como podemos fazer mais pelo negócio dele e pela sociedade, além da comunicação de intenções da marca.

Pois é, mesmo que pareça contraditório, quando o assunto é trabalho criativo, "limitação é liberdade". Afinal, se a melhor maneira de superar bloqueios criativos é ter algumas restrições, então estamos no momento perfeito para sermos melhores do que antes :)

Nada melhor do que um bom debate para mexer com nossas idéias... então finalizo deixando questões no ar com um contraponto ao artigo de Cannell, uma réplica espirituosa, também datada do mesmo ano, chamada "Design Hates a Depression" de Murray Moss do site Design Observer. O que vocês acham? O design se torna mais criativo com restrições?


“O Design gosta de crise  porque crise é sinônimo de problemas e oportunidades,  e o Design se dá bem com os dois.”   Lincoln Seragini



Mais alguns textos pertinentes ao debate:
Como o design pode ajudar em tempos de crise (texto de 2009)

Apesar do texto "Porque o design é um bom investimento em tempos de crise?" ter argumentos substancialmente diferentes dos que eu apresentei aqui, fica como dica extra para ajudar na sua argumentação com o cliente, ok?

20.10.15

Cores em calendário 2016







Se você está procurando um pouco de cor para inspirar seus dias vai gostar do Calendário CMYK Color Swatch 2016. Criado pelo designer Peter von Freyhold, este calendário inclui 371 cores CMYK cuidadosamente selecionadas para que se combinem entre si. Cada dia do ano é impresso em uma faixa de cor que pode ser destacada para revelar uma combinação de cor nova para inspirar sua criatividade.

A caixa na qual o calendário é embalado pode ser usada para guardar as tiras de cor para futuras referências e também possibilitam a montagem de suas próprias amostras de combinação de cores com 'parafusos' de encadernação que vêm incluídos na caixa. Cada cor é impressa nos dois lados e inclui informações sobre as percentagens exatas de ciano, magenta, amarelo e preto desta. A melhor idéia aqui é a proposta de reaproveitamento e resíduo mínimo se o designer fizer uso das cores para trabalhar em seus projetos :)







16.10.15

Abstrações junto com
o 'sapateiro' de plástico Edson Matsuo




“Vamos co-criar esta matéria?”

Assim foi meu primeiro contato com Edson Matsuo. Um criativo que me encantou com a forma como lida com sua própria imagem, história de vida e como valoriza sua equipe. Matsuo se denomina um ativista criativo (e não diretor) da Grendene. Ele e sua equipe são responsáveis por criações das diversas marcas da empresa, entre elas a Melissa. É uma daquelas raras pessoas que tem uma marca pessoal muito forte (com marcadores simbólicos na forma de sua cartola e óculos de armação redonda, ambos na cor preta) e é um profissional que transborda energia criativa: qualquer minuto com ele, mesmo em um bate papo rápido, é certeza de muito aprendizado.

por Marcelo Fiori e Karina Vaz




 Edson Matsuo por Airton Sato


Quando solicitei uma imagem que pudesse usar nesta postagem ele sugeriu que eu usasse uma imagem minha com sua cartola e óculos :), afinal todos somos uma misto de nossos encontros, um híbrido de experiências e nada melhor para representar este encontro que pretendo aqui “retratar” para vocês!


Esta é a forma mais visível para vocês captarem como este grande criativo pensa e trabalha, COM as pessoas: "PEOPLE FIRST". Também não existe melhor forma de expressar como fui impactada e inspirada por nosso bate papo do que usar sua cartola e óculos como uma representação do cruzamento de caminhos e percepções. Desta forma ele segue construindo a si próprio, com um olhar muito especial sempre voltado para as pessoas a sua volta e os entrelaçamentos de idéias e trajetórias. Esta construção de si com os outros é constante para Edson Matsuo, que atualiza sua imagem de perfil nas redes sociais sempre com imagens de amigos e família trajando seus simbólicos objetos.  Uma pessoa que marca, certamente!



Entrei no clima banzai com desenho mesmo :) 

Amigos e família de Matsuo

de Pedro Matsuo


Uma pessoa curiosa por natureza, Matsuo encontra em suas inquietudes as melhores formas de busca de novos pontos de vista, fazendo disto um estado mental que procura manter em si mesmo e "contaminar” sua equipe. Passo a palavra agora para o próprio Edson Matsuo. Aproveitem!



Sobre suas inspirações pessoais e sua trajetória.

“Eu nunca tive preocupação de saber o que eu fiz, sempre fui fazendo. O que eu já fiz, é passado. Então tenho que fazer melhor. Mas com o tempo, você precisa perceber qual é o seu padrão e a trajetória que você percorreu. A minha sempre foi movida pela curiosidade e uma necessidade de querer saber. “

“Eu queria saber coisas novas. Mas para conhecer o novo eu precisei correr atrás. Nasci no interior do Paraná, e usava o esporte para conhecer este “novo” através das viagens. Comecei no baseball, onde meu pai era técnico. Depois passei a jogar tênis de mesa, porque viajava mais. Fui campeão paranaense juvenil. Joguei em São Paulo pelo Palmeiras. Viajei o Brasil todo, também pelo Chile e Argentina, sempre através do esporte. Eu gostava do esporte, mas gostava mais ainda de viajar e conhecer gente nova.”

"Terceira fileira de baixo para cima. quarta pessoa contando da esquerda para a direita" Edson Matsuo quando jogava baseball.

"Contador do Juiz de Baseball do pai de Matsuo e técnico CAMPEÃO na foto do time infantil de Baseball de Maringá Paraná  (ele com uniforme atrás a direita e eu na primeira fileira, terceiro da esquerda para a direita)" Edson Matsuo


“Já naquela época, eu desenhava e fazia a minha raquete com o material e a madeira que eu escolhia. Eu mesmo colocava a borracha japonesa. Estudava a batida da raquete. Corria atrás da madeira de caixa de bacalhau e importados para isso, porque raquete importada era caríssima. Muitas vezes a 'viagem' está em você mesmo.”

"Na primeira fileira duas garotas e um menino, sou este menino." Edson Matsuo na época que jogava tênis de mesa


“Minha mãe era mais artista e foi a primeira a me dar uma régua T. O acesso ao novo sempre esteve presente na minha vida. Quando fui convidado a trabalhar na Grendene foi para trabalhar em tudo menos calçado, era para restabelecer o parque industrial que estava parado. Me forneceram acesso a livros importados, viagens e a informações, em uma época que não havia internet."

“Achei que ia ser preso, porque eu estava fazendo o que gostava e ainda ganhava para aquilo. Até hoje estou esperando ser preso, por que amo o que faço."

“O principal foi o acesso a informação e vivência das coisas, isso me deu esse padrão de inquietude, o gosto pela novidade. Respeitar o que você conquistou, mas olhar para frente e pensar o que você quer fazer agora, do novo. Procurar algo novo sempre, não importa de onde venha, e quanto mais fora do seu networking melhor ainda. Buscar novos campos do conhecimentos para ter novos insights. É muito rico o contato com pessoas de outras áreas do conhecimento, sair dos assuntos de sua zona de conforto porque geralmente os assuntos são variações do mesmo tema. Você precisa buscar o desconforto para ligar conhecimentos na busca pela inovação. Só em meios desconfortáveis você encontra a inovação.”

“As viagens também são formas de transição e de sair de nossa zona de conforto, conhecendo o novo. Novos lugares que surpreendem e trazem novas experiências. Traz a riqueza de te deixar desconfortável.”



Sobre a importância de se pensar com as pessoas e nas pessoas.

“Tudo o que fazemos tem pessoas no meio, e muitos acabam esquecendo disso. O calçado não é nada se ele não ‘anda’, se não tem as pessoas se expressando através dele com sua maneira de sentar, cruzar a perna e se portar. O calçado usado é a coisa mais bela que existe, é onde deixamos a nossa ‘digital’, como andamos e por onde passamos.”
 "Devemos sempre lembrar das pessoas. Antes eu escrevia ‘people first’ agora penso em ‘people engaged first’, porque o engajamento é super importante.”

“Para fazermos algo para alguém, você precisa fazer para você mesmo primeiro. Estudar e entender a si próprio: ‘Eu-novação’. Sair da superfície do conhecimento dos outros e buscar o conhecimento profundo de si mesmo.”

“Hoje vejo a necessidade do ‘design to serve’ pois design que não serve, não serve. Isso é muito mais de ‘feel’ do que de ‘think’, o design para servir. O tema ainda é novo para mim, mas esta ai a inquietude.”


Sobre seus projetos

Trabalhando a muitos anos para a mesma indústria vários projetos passaram por Edson Matsuo, mas para ele o próximo é sempre o maior e melhor desafio. Sua entrada na Grendene se deu por causa do projeto do chinelo Rider, que alavancou a empresa e resgatou a Melissa, além de todo o negócio. Hoje é uma empresa de 26 mil funcionários, de capital aberto. Há 14 anos a maior exportadora de calçados do Brasil.

O maior orgulho de Matsuo é a equipe da qual ele faz parte, que conta com 200 pessoas trabalhando juntas. Mas “o próximo projeto tem que ser o melhor pois temos sempre que buscar novos patamares para alcançar, não para os outros, mas para nós mesmos.”

Matsuo não gosta do termo direção criativa, porque acredita que a direção é construída com as pessoas através da química, da empatia e da conexão que você tem com as pessoas. Ele se auto intitula um dos “ativistas criativos” da equipe.

Um líder criativo que desenvolve sua equipe/pessoas/conexão na intenção de que cada um se inspire no que eles próprios vivenciaram, uma inspiração que parte de dentro de cada um, não é imposta. Ele não quer mudar as pessoas, não quer criar necessidades, mas dar o gatilho para algo que as pessoas já tem:

“O grande desafio é trazer a tona o que as pessoas tem de melhor. Para isto você precisa conhecer o outro. Saber o que brilha os olhos. Inspirar é isso! Esta é a mágica que envolve a inspiração."

“Inspiração não é querer pelo outro, não é impor seus ideais ao outro. Devemos inspirar as pessoas, os colegas, não apenas pelos produtos. A mágica está no trabalho em equipe. Infelizmente tivemos uma escola, tanto na arquitetura quanto no design, mais voltada ao trabalho egocêntrico e trabalho autoral do que para o trabalho em equipe, colaborativo. Defendo Design para o estudo fundamental. Para as crianças aprenderem a solucionar problemas. Pensar e executar projetos através do empreendedorismo.”

A postura de Edson Matsuo como responsável pela área de design de uma indústria é de que o máximo de pessoas tenham contato com o produto, para que o mesmo viabilize o negócio da empresa. Um design acessível é o principal para ele, e um bom indicativo é a quantidade de pessoas que usam o produto, não importa se as pessoas sabem ou não quem fez o produto: “Fazer as pessoas sorrirem! Não só a pessoa que usa, mas também a que vende. Toda a cadeia de valor deve estar contente com o produto, inclusive a comunidade que a gente envolve, a comunidade da própria fábrica. É mais sistêmico do que simplesmente um produto.”

Ver um produto que foi feito aqui no Brasil sendo usado na China (220 milhões de pares por ano são feitos na Grendene) é para ele um grande marcador de sucesso.



Sobre o projeto Melissa One by One

Para quem não conhece, Edson Matsuo e sua equipe são responsáveis pela criação de uma nova experiência no jeito de comprar, vestir e usar calçados. Na verdade um novo jeito de pensar calçados. Esta é uma boa descrição do projeto Melissa One by One, que significa “um por um”.




“O projeto da Melissa One by One existe a 6 anos, mas agora foi identificada uma oportunidade de lançamento. Já estava criado e testado. Sabia-se que dava certo, mas tudo tem seu momento. Este é um bom exemplo de que não podemos desistir dos projetos, mas também não podemos forçar. É preciso perceber os sinais do mercado, inclusive a aderência de toda a empresa e do momento certo de lançar um produto. Pois este produto muda toda a forma de pensar o uso de um calçado, incluindo a forma de produzir e vender, pois é vendido apenas um pé e não o par de sapatilhas."

A inovação do projeto está no pensamento modular e interativo, que permite calçar e andar de maneira confortável, tanto com o pé direito, quanto com o esquerdo usando o mesmo modelo. Além de um novo jeito de combinar e comprar. Sendo feita de MELFLEX, formulação exclusiva de polímero (PVC) que garante a eficiência das geometrias do projeto de design, flexibilidade, conforto, reciclabilidade e ainda leva a marca sensorial do “Aroma Melissa” como os outros modelos, mas este projeto traz um novo modelo de pensamento como sua inovação, circular, modular, personalizado e acessível onde cada consumidor constrói a sua própria e única coleção.




A forma de comprar e vender também é nova, pois é vendido um pé da sapatilha, e não em pares, e é exatamente o que permite a personalização e modularidade do projeto que conta com nove modelos, vendidos separadamente. O resultado são 81 possibilidades de combinações diferentes para compor um par de Melissa.

Um projeto “fora da caixa” verdadeiramente, pois quebra padrões de percepção e comportamento de um segmento inteiro de produtos. A modularidade do pé com desenho único para pé esquerdo e direito vai muito além da questão estética, mas também está nela quando se tem lados com estampas e cores diferentes na mesma sapatilha, pois quando se usa no outro pé, a pessoa tem uma percepção completamente diferente do mesmo objeto.

“Algumas referências de calçados com desenho único para ambos os pés são os sapatos chineses de dedo, por exemplo, que também tem um principio minimalista, além das alpargatas ou espadrilhas gaúchas, mas fazer uma sapatilha minimalista é mais difícil” compartilha Matsuo. “Como todo produto novo a própria empresa e equipe ainda está aprendendo com ele . A inspiração é um trabalho conjunto”

“No meu ponto de vista, nenhum produto nasce inovador, quem o torna inovador são as pessoas. O produto é apenas um candidato a inovação, o que mede a inovação é a quantidade de pessoas que aderem e adoram o produto, que divulgam por conta própria e recomendam para outros. A inovação é reconhecida no mercado e não dentro da indústria. Acontece na recepção deste produto pelo mercado consumidor. Na emissão é ego, na recepção é inovação.”

A inovação, aqui, está na quebra do padrão existente e na mudança do modelo de pensamento: da fabricação à venda, uso (trocar de lado, lados com cores diferentes) e acessibilidade, pois pode-se comprar um pé de cada tamanho por exemplo, ou comprar apenas um pé, respeitando as individualidades de cada pessoa.

O design inovador do Melissa One by One foi homenageado no prêmio Brasil Design Award 2014, pelo investimento em inovação e design no ramo calçadista, além do Prêmio BID - Bienal Iberoamericana de Design 2014 na categoria Moda e ainda trouxe à marca gaúcha de calçados a premiação, na categoria produto, do iF Design Award 2015. Matsuo e sua equipe da Grendene também receberam prêmios de Arquitetura nos projetos da Casa Ipanema e Galeria Melissa Nova York.

“O grande prêmio é vender muitos pares e ajudar uma empresa como a Grendene a sempre se desenvolver.” Edson Matsuo



Sobre referências criativas que admira

Matsuo nos traz nomes que pesquisam e falam sobre inovação em negócios para termos novos pontos de vista:

“Uma pessoa que eu gosto muito é o John Maeda que pesquisou no MIT muito tempo sobre simplicidade”

Maeda e suas leis da simplicidade mostram como encontrar maneiras das pessoas simplificarem a sua vida em face da crescente complexidade. Dá para conferir a palestra dele clicando aqui 

“Gosto também do Simon Sinek, que está ligado a inspiração voltada as pessoas mas, ao invés de seu ‘Golden circle’, defendo o ‘Diamond circle’ que trata o ‘com quem’ antes, e o ‘porquê’ depois. Dependendo do COM QUEM o POR QUÊ tem outro significado.”
O 'diamond circle' de Edson Matsuo é uma releitura do 'golden circle' de Simon Sinek, onde devemos pensar primeiro COM QUEM, afinal dependendo do "com quem" o PORQUÊ tem outro significado.



“Tem também os conceitos da Youngme Moon que é uma coreana que fala sobre o diferente”

Youngme Moon da Harvard Business School mostra neste vídeo abaixo uma introdução de seu livro ‘Diferente, quando a exceção dita a regra’ no qual traz o sentido de diferenciação de negócio.






Inspirações e considerações finais de Edson Matsuo

“Você e eu temos já dentro de nós a semente de tudo que seremos e o que precisamos são os gatilhos , portanto desconfio quando ouço o papo de ‘querer mudar alguém e ser mudado por alguém’. O conceito de mudar alguém é ainda da cultura autoritária do marketing de criar necessidades. TRANFORMAR respeita o que você já é. Transformado de estudante em um eterno aluno. A vida que te forma.”

“Se você conseguir ser transformado de estudante em um eterno aluno já valeu a sua faculdade. Brinco que fui deformado e que estou me formando ainda, do jeito que eu quero, conforme sou e vivencio. Porque a faculdade não consegue personalizar, a vida que te dá isso. Este é o contexto da atuação do designer. “

“Isto tudo tem a ver com o ‘design para servir’ que defendo. ‘Design que não serve, não serve’, servir a próprios, a você mesmo, servir ao colega que está ao lado, servir para quem vai usar. Uma visão mais abrangente não só do design como projeto, mas acerca do que você quer da vida e da sua atuação. Esta amplitude tem muito a ver com sua percepção do quanto você quer ficar no conteúdo ou no continente. Continente é maior do que conteúdo.”

“Inovação vira balela se não começamos conosco primeiro. Quem pretende fazer algo diferente que emocione alguém, primeiro precisa se conhecer. Se você não sabe como você se emociona é mais difícil. O design no mínimo precisa conhecer e entender o ser humano.”
“Se conhecer antes. Valorizar mais o ser. Desconfie de uma grande boa ideia, se ela não inspira as outras pessoas.”


Edson Matsuo palestrando


Vocês vão concordar comigo que a abordagem de Edson Matsuo é extremamente inspiradora e a partir desta, sigo os seus conselhos deixando algumas perguntas em aberto, transformando este papo em algo mais colaborativo porque estamos sempre em transformação e podemos rever tudo isto que foi falado no futuro

A idéia deste bate papo é trazer a inquietude para você que lê. Precisamos de gatilhos para elaborar nossas próprias idéias, espaços em branco para a nossa própria inspiração...

Não tem problema deixar espaços em branco para que vocês tirem suas conclusões. O importante é que compartilhemos o conhecimento e que cada um transforme e o elabore para si. Afinal, nada é completamente previsto e tudo tem vida própria. Precisamos ir trabalhando e aceitando o que tem por vir, completamente inspirados pelas idéias de Edson Matsuo!

É disto que trata este bate papo e este blog, sempre com reticências em meio a escrita para proporcionar os espaços de intervenção e apropriação do pensamento de vocês :)

Espero que vocês também tenham sentido um pouco da energia criativa inspiradora deste excelente bate papo, que continua dentro de cada um de nós, providos pelos “espaços em branco” que nos permitem intervir com nossas próprias interpretações!

Vaso que cresce com a planta





Um fato comum para quem tem plantas em casa ou no escritório é que conforme as plantas crescem precisam ser trocadas de vaso para outros maiores para que se desenvolva de forma saudável, certo? Pois aqui temos o projeto do Studio Ayaskan que criou uma solução para esse problema.

Growth é um vaso de plantas inspirado nos origamis, que se expande se desdobrando conforme a planta cresce, não prejudicando o desenvolvimento das raízes. Cada vaso pode se expandir em até cinco vezes o seu volume original, tanto naturalmente, pelo crescimento das raízes, quanto como resultado de intervenção humana, tornando o processo de re-envasamento desnecessário. :) Sensacional, não?



7.10.15

Todos somos criativos



Esta animação do estúdio ThinkPublic nos lembra como a capacidade de criar é humana e que basta "educar" nossa atenção, de verdade, para ser um solucionar de problemas da modernidade que também podemos chamar de designer :)  Na verdade, este é um debate longo porque existem muito "makers" que são criativos e resolvem problemas sem nenhuma tipo de educação formal. Sem entrar neste debate, muito menos em tempos de regulamentação, deixo vocês com este video para pensar.

O pessoal do Cmykativo fez uma breve tradução que trago um trecho abaixo:

"[...] Ser designer não é sempre sobre fazer aviões, pontes ou outdoors. Ser designer pode ser sobre pensar um modo de identificar oportunidades, desde grandes idéias e torna-las em produtos reais, serviços e sistemas. [...]

Ser designer é sobre olhar ao redor, escutar, experenciar, ver coisas que outras pessoas não veem e estar pronto e capaz para tornar este aprendizado em soluções. Olhar para os problemas buscando encontrar uma expressão da solução. Se tudo for resolvido sempre da mesma forma, sempre e sempre, o que mudará?

Desenvolva sua habilidade em escutar para mediar, e juntar as pessoas de maneira construtiva para compartilharem suas experiências e invenções. Você pode provavelmente ter todas as respostas e todas as idéias.

Pessoas falam bastante e frequentemente em salas. Se você quer ser um designer, por que não pega as conversas, filtra as ideias brilhantes e as transforma em coisas tangíveis? E depois mostre ao mundo, seja proativo, vá para fora e tente botar em prática. Faça perguntas, teste suposições, desafie si mesmo e o seu time. Se não funcionar na primeira vez, tente de novo. Você não precisa de óculos bobos e uma camisa gola polo, só uma mente curiosa e criativa"

Mas este "papo" foi puxado pelo Design Livre e acho bem pertinente e interessante para pensarmos neste momento da profissão, neste no qual pretendemos nos tornar mais sociais, mais atentos ao outro e pensar mais nas pessoas, para isto precisamos começar a desafiar os nossos próprios preconceitos. Para completar e deixar vocês mais pensativos ainda,  podem baixar o livro de Hugo Cristo "Design sem designer" aqui  e aparecer para bater um papo com o autor em Curitiba na semana que vem. Tenho certeza que muitos estão agora com os pensamentos em ebulição :)

Afinal, querendo ou não, as novas tecnologias estão ai trazendo novos desafios e novos debates. O melhor que temos a fazer é entender como isto tudo está acontecendo e, quem sabe, para alguns seja interessante se juntar ao movimento :) então recomendo o livro Makers: A Nova Revolução Industrial de Chris Anderson  e que  todos conheçam a história dos Fab Labs que vem de encontro com os temas que já tratei aqui anteriormente o Design Livre ou Open Design.

Considero que perceber  o  valor do conhecimento empírico dos "makers", aqueles da gambiarra mesmo, unindo-o ao conhecimento formal do design pode nos trazer novas formas de pensar velhos problemas... mas devemos lembrar que estas "novas formas de pensar" já estão por ai, basta enxergarmos!