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10.11.09

Bate papo com Julius Wiedemann




O Amenidades do Design traz para vocês mais um bate papo, desta vez com Julius Wiedemann , editor chefe da Editora Taschen, que através de seus conhecimentos de design gráfico e marketing adquiridos antes de deixar o Brasil para trabalhar pelo mundo afora pela conhecida editora, nos dá o prazer de conhecer sua visão particular sobre as formas como diferentes culturas usufruem deste ambiente de comunicação multiplataforma e cheio de possibilidades.



Quando e como surgiu seu interesse pelo design gráfico? Como foram suas primeiras experiências na área? Quais nomes do Design você admira?

Julius Wiedemann... Eu comecei a estudar design gráfico por causa da minha irmã. Logo no início da universidade eu comecei a fazer estágios, etc. O fato e que eu não acabei o curso, e me mudei pra marketing, em outra instituição, mas eu continuei trabalhando na área, mesmo depois que eu me mudei para o japão, onde fui editor de arte de revistas e jornais, me tornando depois editor. Eu costumo dizer que como eu não era um designer tão bom, eu preferi ficar falando e comentando trabalhos de design, pelos quais eu sou realmente apaixonado. Eu admiro tudo o que vem da Pentagram por exemplo, mas acima de tudo eu admiro pessoas que trabalham sério, e profissionalmente. Por isso admiro a minha irmã, Rafaela Wiedemann, que me inspirou e me deu um norte desde o comeco. Devo muito a ela.




Fale sobre o mercado editorial no Brasil e no mundo? A produção brasileira com relação a produção de conteúdo em outros países é relevante e de qualidade?

Julius Wiedemann... O mercado editorial é enorme, e por isso eu ficaria mais detido em livros, que é um meio incrível, além de ser muito “mobile”, como costumo dizer. Podemos levar pra piscina, molhar, lever pro sofá, pro banheiro, etc. O Brasil ainda é pouco competitivo, e muitos subsídios criaram um problema enorme para se produzir títulos que sejam realmente desejados. Na Taschen, quando um livro sai, é apenas o inicio de tudo, não o fim. Temos que criar publicações que sejam desejadas, e por final, compradas. Por isso nossa produção de conteúdo ainda é fraca. Em termos de design em si, nossa produção é ótima, de altíssimo nível. Temos profissinais e escritórios como a Mariana Hardy, Tecnopop, Tatil, 6D, O Estudio, e dezenas de outros. Muitos trabalhos já estão no nível de trabalhos de qualquer país de primeiro mundo.



Em tempos de novidades tecnológicas observamos mudanças completas do mercado, como com o mp3 que derrubou o CD, em seguida o mesmo aconteceu com os vídeos, e começa a acontecer com jornais. Um movimento natural é que o mesmo processo de virtualização ocorra com os livros, e o papel ceda lugar ao e-book, você concorda? Como a indústria editorial percebe este processo?

Julius Wiedemann... Eu comprei um e-reader há 2 semanas. Estou adorando. O futuro é esse mesmo. O livro no entanto não precisa morrer por causa disso. Vivemos até hoje um processo de acúmulo de meios. Ainda temos cinema, dvd, tv, tv a cabo, e download vivendo ao mesmo tempo. Temos mais de 6 gerações com características de consumo de mídias diferentes que coexistem, mas usam midias com funcionalidades distintas. Por exemplo, meu filho de 6 anos assiste televisão, mas certamente não a usa como a minha mãe. Por isso acho que temos que pensar pra frente, e mais em acúmulo e transformação de função, do que propriamente uma exterminação de um meio. A indústria editorial de livros é super conservadora, e o motivo e basicamente porque ela foi muito pouco atingida pela era digital. Isso começa a acontecer apenas agora. Vamos ver como ela vai reagir, e ai veremos como o futuro vai se delinear.




Em época de conteúdo gratuito na internet, na sua opinião quais são os novos caminhos para a indústria editorial?

Julius Wiedemann... As mudanças vão acontecer como sempre aconteceram. A distribuição de conteúdo vai se tornar cada vez mais digital, e por isso mais flexível, mais multi plataforma. Não tem jeito, e nao é uma questão de “se”, e simplesmente de “quando”. Eu mesmo sou um estusiasta das tecnologias digitais. Não acho que elas vão acabar com o mercado. É apenas uma questão de transformação.




Esses leitores digitais, e-books, são um caminho para o conteúdo editorial textual ou será mais direcionado e viável para material gráfico? Como esse novo "gadget" é recebido pelo leitor?

Julius Wiedemann... Na área gráfica ainda estamos, eu acho, um pouco longe de uma solução que atenda bem a portabilidade e qualidade de imagem. Mas esse dia vai chegar, pode acreditar. O papel ainda é a melhor interface. Mas temos que olhar pra frente, e ver que o mundo digital avança rápido. Hoje estamos competindo apenas com sites, que já são uma potência. Em breve teremos outras mídias.




Qual o papel da web na sua empresa? Como essa mídia moderna interfere ou interage com os seus negócios?

Julius Wiedemann... A web hoje é importantissima. É por onde as pessoas tem acesso ao nosso catalogo, customizado a cada país que a pessoa esteja. É um site muito eficiente. Além disso funciona como uma ótima loja. Mas mais importante de tudo, é que ele é a porta de entrada hoje. Eu costumo dizer que o único endereço permanente que existe hoje é o da web. O resto todo pode mudar, mas se o da web fica, é ali que as pessoas vão te achar.




Qual conselho você daria ao designer que está entrando no mercado de trabalho agora?

Julius Wiedemann... Pense em design de conteúdo, e não apenas em uma mídia. Conteúdo é o que é importante, e pode ser distribuido de várias maneiras, e isso funciona para design, branding, literatura, etc. As fronteiras estão se rompendo, e hoje mais do que nunca é possivel que cada um crie sua própria fórmula de sucesso. Essa liberdade é sem precedentes, e junto com a disponibilidade tecnológica, cria oportunidades ilimitadas.

4 comentários:

  1. A Taschen é incrível, adoro!

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  2. Anônimo13.11.09

    Eu trabalho com artes vetoriais e vou ser contratado por uma empresa para criar estampas para as camisas e eu devo ser contratado como???

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  3. Lendo a ótima entervista do Julius, vi a pergunta de "Anônimo" sobre a contratação dele para criar estampas para camisas. Vou dar a minha opinião: se ele vai criar, ele será o designer (têxtil ou de superfícies), se ele for apenas vetorizar, ele será o arte-finalista ou o desenhista tecnico.

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  4. Agradeço sua participação por aqui Renata :-)

    Obrigada pela resposta!!
    Abs,
    Carol Hoffmann

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